Estado de SP só começou a abrir clínicas públicas neste ano

A dependência de álcool e drogas ainda constitui uma lacuna na oferta de atendimento público. Os primeiros Centros de Atenção Psicossocial (Caps) voltados para essa parcela de pacientes surgiram há dois anos e a primeira clínica pública de internação para jovens dependentes só foi inaugurada em janeiro (em Cotia, na Grande São Paulo). Uma nova entidade só para adultos será aberta hoje, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Em parceria com a Sociedade Assistencial Bandeirantes, o Estado vai disponibilizar 30 leitos, com período máximo de internação de um mês. A Secretaria de Saúde vai repassar R$ 3 mil por paciente todo mês e o médico da Unifesp Ronaldo Laranjeira ficará responsável pela orientação técnica.

A nova oferta de tratamento para dependentes químicos também tenta combater o preconceito, na maior parte das vezes ligado à falsa relação entre drogas e marginalidade, como mostrou um estudo da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O levantamento teve início em 1995 e investigou o destino de 131 usuários dependentes de crack que buscaram tratamento (internação) espontaneamente na Enfermaria de Desintoxicação do Hospital Geral de Taipas, na zona norte de São Paulo, entre 1992 e 1994. Após a alta, eles foram avaliados aos dois (1995-1996), cinco (98-99) e 12 anos (2005-2006).

Esse perfil dos pesquisados, na época da internação, era de adultos jovens, com menos de 25 anos, homens brancos, das classes socioeconômicas baixa e média baixa. O início de consumo de crack ocorreu por volta dos 20 anos. Doze anos decorridos da alta, 78 desses indivíduos estavam vivos (60%) – 13 (10%) estavam presos. Dos demais, 24 não foram localizados (17%), 2 estavam desaparecidos e 27 mortos (21%). Dos óbitos encontrados, 16 foram por homicídio, 6 por aids, 3 por overdose, 1 por hepatite B e 1 por afogamento.

Nesses 12 anos, tanto os índices de envolvimento com alguma atividade ilícita quanto os de prisões subiram significantemente. Saltaram de 49%, para práticas ilícitas, e 21%, para o número de prisões na admissão da internação na enfermaria, para 62% e 47%, respectivamente.

GERAÇÕES

Hoje, o perfil de quem consome se alterou, mas é possível fazer ligações. Luiz Carlos Magno, diretor do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), observa que os jovens consumidores agora são filhos de uma geração que foi apresentada ao crack, droga que completou 20 anos de história em 2008. “Seus pais experimentaram aos 17 ou aos 18 anos. As mães dependentes criaram filhos em ambientes facilitadores do vício. O crack, então, chegou para esses meninos mais cedo, aos 13 anos.”
Autor: Editoria Metrópole
OBID Fonte: O Estado de São Paulo