Hospital exclusivo para tratar crack

O prédio que abrigou o Hospital Maia Filho deverá ser transformado em centro de referência para tratamento de dependentes químicos. A revelação foi feita ontem pelo secretário municipal da Saúde, Eliseu Santos, que negocia com a 2ª Vara de Falências e Concordatas de Porto Alegre a possibilidade de o município assumir o controle do imóvel, por meio de desapropriação ou aquisição direta. A intenção é destinar o espaço especialmente à recuperação de viciados em crack.

A negociação entre a prefeitura e os representantes da massa falida está adiantada. A Procuradoria-Geral do Município (PGM) aguarda pela lista de credores do extinto Maia Filho para, posteriormente, realizar avaliação do imóvel.

“Técnicos das secretarias da Saúde e da Fazenda também participam das tratativas”, disse. A intenção, conforme Eliseu Santos, é instalar no local cem leitos para tratamentos de desintoxicação e psiquiátricos dos dependentes. Pelas projeções do secretário, o centro de referência também abrigará área específica para tratamento ambulatorial e consultórios médicos, além de uma unidade anexa para oficinas profissionalizantes. “Formalizaremos parcerias com Senai e Senac para assegurar que, além de se livrarem da dependência, sejam preparados para exercer uma atividade profissional”, explicou.

Eliseu igualmente pretende recorrer ao meio empresarial em busca de apoio para a manutenção do complexo. “Não queremos dinheiro, mas empenho de todos os segmentos sociais no sentido de enfrentarmos e vencermos essa guerra contra as drogas”, destacou. O secretário assinalou que a epidemia de crack não atinge apenas a periferia, mas avança nas classes média e alta no país. Segundo ele, o consumo leva apenas 10 segundos para fazer efeito, gerando euforia e excitação. A droga acelera a respiração e os batimentos cardíacos e provoca depressão, delírio e “fissura” por novas doses.

Cinco a sete vezes mais potente do que a cocaína, o crack é também mais cruel e mortífero, já que possui poder avassalador para desestruturar a personalidade, agindo em prazo muito curto e criando enorme dependência psicológica. No Estado, a droga está relacionada a mais de 60% das internações de dependentes químicos pelo SUS. Recente estudo do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas da Ufrgs apontou que, em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, 39% dos pacientes nos principais centros de tratamento eram dependentes de crack – índice duas vezes maior do que viciados em cocaína.
Autor: Editoria Geral
OBID Fonte: Correio do Povo