Incentivo para largar o cigarro

O Distrito Federal conta com uma população de 300 mil fumantes. Os dados são do Programa de Controle do Tabagismo da Secretaria de Saúde, que tem interesse em diminuir esse público o máximo possível. Ontem, no seminário Brasília 100% livre do tabaco, discutiram-se os problemas que o hábito de fumar provoca na sociedade assim como ações necessárias para combatê-los. O evento, promovido pela secretaria em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), destacou a importância de oferecer aos tabagistas a possibilidade de parar de fumar em programas de prevenção ao câncer realizados em centros de saúde, empresas e escolas.

Desde 1997, a Secretaria de Saúde oferece tratamento a fumantes que queiram largar o vício. Atualmente, o programa conta com 81 empresas, entre públicas e privadas, que foram sensibilizadas a manter os ambientes livres do cigarro. Dessas, 46 instituições já desenvolvem campanhas para garantir que os funcionários não fumem dentro de suas dependências. Outras 31 firmas oferecem tratamento para fumantes, que pode ser gratuito ou com gastos parcialmente custeados. Na rede pública, o serviço é gratuito em 48 centros de referência espalhados por postos de saúde e hospitais de todo DF.

“Por ano, 3,5 mil pessoas param de fumar devido ao tratamento que oferecemos. Temos um índice de 80% de sucesso”, contou a médica Rosângela Silvestre, da assessoria técnica do Programa de Controle do Tabagismo da secretaria de Saúde. O tratamento consiste em quatro reuniões semanais com pacientes que desejam parar de fumar. Nelas, os médicos fazem um diagnóstico. Fumantes mais dependentes podem ter que tomar remédios, fornecidos gratuitamente, que vão de gomas de mascar e adesivos até antidepressivos.

Além disso, os médicos sugerem mudanças de hábitos, especialmente no que diz respeito à alimentação e realização de atividades físicas. Os pacientes ainda precisam frequentar reuniões periódicas durante um ano após o tratamento inicial. Mas é preciso força de vontade e perseverança para conseguir ter êxito. A servidora pública Maria de Fátima Mendes da Silva, 44 anos, chegou a participar do programa no ano passado, só que largou o tratamento pela metade após se desentender com uma médica. “Mas continuo pensando seriamente em parar de fumar”, disse.

Educação

Outra frente em que o Programa de Controle do Tabagismo busca atuar diz respeito às instituições de ensino. Os problemas causados pelo cigarro serão tratados dentro do programa Saúde na Escola, que será lançado no dia 23. “Queremos capacitar os professores para que eles tenham conhecimentos suficientes dos fatores de risco de câncer para orientarem alunos da melhor maneira”, detalhou o pneumologista Celso Antônio Rodrigues, coordenador do Programa de Controle do Tabagismo.

“O cigarro é responsável por oito mortes diariamente no DF. A secretaria de Saúde tem um custo mensal de R$ 12 milhões com pessoas que apresentam doenças relacionadas ao uso do tabaco”, destacou o pneumologista. Segundo Celso Antônio, fumar pode provocar câncer ou acarretar problemas de saúde como infarto, derrame cerebral e hipertensão. “Temos conhecimento de que 80% das pessoas hipertensas são fumantes. O tabagismo é a doença que mais mata no mundo”, acrescentou. Por todas essas razões, o programa tem preocupação em alertar os jovens dos riscos ao tragar um cigarro.

Tânia Cavalcante, coordenadora do Programa de Tabagismo no Brasil realizado pelo Inca, ressaltou que as indústrias tabagistas procuram direcionar as propagandas para um público adolescente. “Dificilmente alguém que venha a experimentar cigarros depois de adulto se torna dependente da nicotina. O mesmo não ocorre com os jovens, que correm mais risco de tornarem o ato de fumar um hábito. Motivo pelo qual ficamos preocupados ao notar que adolescentes de 13 a 15 anos continuam a experimentar cigarros por todo o Brasil”, argumentou.

AJUDA

Fumantes interessados em parar ou empresas que desejem oferecer o serviço de prevenção ao câncer aos seus funcionários podem buscar mais informações sobre o assunto no Programa de Controle do Tabagismo pelos telefones 3346-6257 e 3346-5770. As pessoas também podem ligar para o Disque-Saúde (156).
Autor: Pablo Rebello
OBID Fonte: Correio Braziliense