Jovens são influenciados a fumar pela exposição de cigarros em pontos de venda; indica pesquisa

Setenta e nove por cento dos jovens veem cigarros à venda nas padarias, enquanto 71% deles já viram o produto nos supermercados. A maioria (58%) dos que frequentam bares também diz ter visto cigarros sendo vendidos nesses locais.

Dos que frequentam lojas de conveniência, 38% dizem já ter visto cigarros à venda. Essa taxa é de 37% entre os que costumam ir a bancas de jornais, de 31% entre os que vão a postos de gasolina e de 29% entre os que costumam fazer compras em camelôs.

A maioria deles acha que a exposição de cigarros nesses locais tem influência na iniciação ao fumo. Para 37%, essa exposição influencia muito, e, para 34%, influencia mais ou menos as pessoas a começar a fumar, totalizando 71%. Apenas 28% acham que essa exposição não tem qualquer influência na iniciação dos fumantes.

A maioria (63%) acha que pessoas de sua idade podem sentir vontade de fumar ao ver os cigarros expostos em locais de venda. Essa taxa chega a 71% entre os que têm entre 12 e 14 anos; é de 68% entre os que têm de 15 a 17 anos e de 56% entre os que estão na faixa dos 18 a 22 anos.

Esses são os dados da nova pesquisa que a ACT encomendou ao Instituto Datafolha, para averiguar a percepção dos jovens sobre a publicidade de cigarros em pontos de venda. A pesquisa foi feita com 560 jovens de ambos os sexos na faixa etária dos 12 aos 22 anos, nos dias 18 e 19 de dezembro de 2008, em seis capitais brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Brasília.

Solicitados a dizer, espontaneamente, quais produtos lembram de ver à venda no caixa de postos de gasolina, lojas de conveniência, supermercados, padarias, bares, bancas de jornal e sendo vendidos por camelôs, 42% citam cigarros. Essa taxa chega a 55% entre os fumantes e é de 60% entre os que moram na cidade de São Paulo e de 52% entre os que residem em Brasília. Esse é o segundo produto mais citado, ficando atrás apenas de produtos de bomboniére, de modo geral, que atingem 83% das menções.

Sobre os brindes promocionais que, muitas vezes, acompanham algumas marcas, 7% dos entrevistados declaram ter visto, mas não adquirido; e 2% afirmam ter comprado cigarros com brindes. Entre os fumantes, 12% declaram já ter visto embalagens de cigarros acompanhadas de brindes à venda, e comprado.

Os jovens entrevistados demonstraram conhecer em média três diferentes tipos de marcas de cigarros, e no caso do grupo de fumantes este número sobe para 4 marcas.

“Esta pesquisa nos dá uma mostra de como a publicidade de cigarros, apesar de restrita, continua a atingir e atrair os jovens para seu mercado, agora nos pontos de vendas e por meio de embalagens atrativas e promoções”, explica Paula Johns, diretora-executiva da ACT, que acrescenta: “Com ela, percebemos como a exposição desses produtos em lugares como padarias, supermercados e lojas de conveniência substituiu com sucesso a publicidade restrita nos meios de comunicação de massa e realmente inspira a criança e o jovem a começar a fumar. Esses resultados demonstram que a publicidade de cigarro deveria ser completamente proibida, afinal um produto que mata metade dos seus usuários regulares não pode ser promovido em lugar nenhum”.
Autor: Seção Dicas do Dia
OBID Fonte: Vya Estelar