O adolescente e o consumo de bebidas

Muitos acham que o alcoolismo seja apenas um vicio, o que não o é. Em realidade, reconhecida como tal pela Organização Mundial de Saúde, o alcoolismo é uma doença. É progressiva, incurável e de determinação fatal. Está catalogada como a terceira doença que mais mata no mundo. Entretanto, se consignarem nos atestados de óbitos que no traumatismo craniano, no enfarte do miocárdio, na cirrose hepática e muitas outras, que o álcool se fez presente, de terceira pularia para primeira. Também é tida como doença física, mental, espiritual, da negação e da família. O doente alcoólico faz com que a família adoeça junto com ele, principalmente os que lhe são mais achegados: pai, mãe, marido, esposa e filhos.

Desde algum tempo atrás muitos médicos se interessaram pelo estudo desta doença, e todos aqueles que nos são conhecidos a tem como uma doença primária, ou seja, se tirar o álcool a doença se mantém estacionada, apenas assim, porque ela é incurável. Mesmo que o doente alcoólico esteja em recuperação por mais de 20 anos, caso venha ingerir um primeiro gole, interrompendo a sequência de 24 horas evitando-o, a doença volta a se manifestar em proporções ainda maiores. A experiência tem nos mostrado isto.

O alcoolismo não escolhe raça, cor, credo, condição social e principalmente idade. Este é o enfoque do assunto de hoje. A Adolescência e o Alcoolismo. Assunto este que vem sendo abordado por todas as mídias nos últimos tempos, que muitas preocupações acarretam não só para as autoridades públicas, para as áreas médicas, como acima de tudo para as famílias dos jovens e adolescentes. Constantemente jornais, revistas, e até mesmo as emissoras de TV, mostram jovens e adolescentes em bares e boates ingerindo cervejas, e até mesmo bebidas destiladas.

O Dr. Luiz Machado, Médico da Família em Cachoeirinha/Dourados em MS, assim se manifestou na Revista Vivência de AA, de número 115: “A pessoa que ingere álcool “socialmente”, esporadicamente ou quase nunca se embriaga, sem abusar do consumo, dificilmente será um alcoólico. Mas o consumo exagerado de álcool pode levar a situação de risco pessoal e ao alcoolismo.” “O que mais assusta é que cerca de 50% desses jovens que bebem mais de duas vezes por semana podem se tornar adultos alcoólicos. O que começou em uma simples brincadeira, pode virar um caso sério.” “As mulheres precisam se cuidar mais, elas tem a metade da quantidade de enzimas que degradam o álcool…” É possível que nem todos os jovens e adolescentes tenham afinidades com a doença do alcoolismo, e que estão fadados a serem portadores dela no futuro.

São opiniões pessoais. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos não opina sobre esta questão, pois as suas tradições recomendam não apoiar e nem combater quaisquer causas, não entrando em quaisquer controvérsias públicas. Mas isto não quer dizer que deixa de se preocupar com os jovens e adolescentes, muito pelo contrário. Seus co-fundadores, um deles médico e portador da doença, já haviam detectado nas décadas de 40, 50 e 60, que a doença também se manifestava na faixa etária dos jovens e adolescentes. Instituíram até um folheto nominado de “UMA MENSAGEM PARA OS JOVENS” que aborda a doença do alcoolismo, esclarece sobre a ingestão descontrolada de bebidas alcoólicas e se está tendo problemas com elas, desejar parar e não conseguir sozinho, os membros de AA estarão de mãos estendidas para recebe-los e ajuda-los, eis que, para fazer parte da Irmandade de AA o único requisito é ter o desejo de parar de beber.

Um membro de AA com 70 anos de idade e com 22 anos em recuperação através do programa dos Doze Passos de AA, começou a beber com 9 anos de idade (1947) os licores de cacau e laranja que sua tia fazia. Logo a doença se manifestou. Aos 11 anos de idade tomou o primeiro porre e aos 14 permaneceu durante 5 cinco dias em coma alcoólica, depois de ingerir, de uma só vez, mais de uma garrafa de cachaça.

Naqueles tempos, décadas de 40, 50, 60 e 70 a divulgação de AA não era tão intensa como passou a ser após a década de 1980. Em novembro de 1983 recebeu a mensagem de AA, participou de reuniões em um grupo, mas não admitiu ser um doente. Precisou sofrer até os 48 anos de idade quando em dezembro de 1986 ingressou na Irmandade de A.A., vivenciando o programa de recuperação até a data de hoje.

Muitos eventos se têm realizados voltados para levar a mensagem aos jovens e adolescentes que já se encontram sofrendo com a doença do alcoolismo. Também a divulgação de AA em todas as mídias tem feito com que os jovens e adolescentes procurem ajuda sem a necessidade de permanecer sofrendo até a idade adulta. A VIVÊNCIA, revista brasileira de A.A., o seu número 80, de dezembro de 2002, é voltada ao tema “OS JOVENS E A.A.”, onde muitos tem os seus depoimentos impressos, encerrando aqui com parte de um feito por uma jovem que queria encontrar um sentido para a sua vida, dar um basta ao seu sofrimento. E em A.A. ela encontrou… “… Iniciei minha caminhada alcoólica aos 14 anos…” – “… tudo aquilo que eu achava que a bebida me proporcionava já havia mostrado a sua face de mentiras e mascaras”.
Autor: Editoria País
OBID Fonte: Jornal do Brasil