Relatório aponta álcool e tabaco entre os maiores responsáveis por mortes no mundo

Tabaco e Álcool figuram entre os maiores responsáveis por mortes em todo o mundo

As Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) têm se colocado como um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade. Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que as DCNTs são responsáveis por 61% de todas as mortes ocorridas no mundo. De acordo com a OMS, um pequeno conjunto de fatores de risco responde pela grande maioria das mortes por DCNTs e por uma parte representativa de doenças devido a essas enfermidades. Dentre esses fatores, destacam-se o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a obesidade e a má alimentação, dentre outros.

Baseado nessas informações, o Ministério da Saúde realizou um levantamento sobre padrões e hábitos de saúde da população brasileira. Dentre vários tópicos, a equipe de pesquisadores pode traçar um perfil definindo as principais causas do que hoje é considerado o principal responsável pelas mortes no mundo.

No levantamento, foram ouvidas aproximadamente 72 mil pessoas, de ambos os sexos e idades variadas. O Trabalho é uma parceria do Ministério da Saúde, por intermédio da Secretaria de Vigilância em Saúde e da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa, contando com o suporte técnico do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo – NUPENS/USP.

Tabaco

De acordo com a pesquisa, o hábito de fumar se mostrou mais disseminado entre homens do que entre mulheres em todas as cidades, embora as diferenças segundo gênero tenham variado muito de cidade para cidade.

Em geral, nas cidades do norte e nordeste, o consumo de cigarros por habitantes do sexo masculino prevalece sobre a quantidade de fumantes do sexo feminino. Em alguns estados como Macapá, esse número chega a ser três vezes maior entre os homens em relação às mulheres.

Enquanto isso, grande parte dos estados da região sul apresenta pouca diferença entre os gêneros. O número de fumantes masculinos e femininos é quase o mesmo.

No centro-oeste e sudeste é possível observar uma diferença nos hábitos de consumo com relação à idade dos consumidores. Entre homens, a freqüência de fumantes se mostrou relativamente estável até os 54 anos de idade (cerca de 20%), declinando para 17% e 13%, respectivamente, nas faixas etárias 55-64 e 65 ou mais anos de idade. Entre mulheres,
a freqüência de fumantes aumentou com a idade ao longo das faixas etárias entre 18 e 54 anos (de 10% para 17%), declinando, respectivamente, para 13,2% e 6,7% nas faixas etárias subseqüentes.

Educação faz diferença

A pesquisa mostra também que o grau de escolaridade da população ouvida foi fator determinante nos hábitos relativos ao tabagismo. Aqueles que estudaram por um período de até oito anos apresentaram um consumo de tabaco quase duas vezes maior do que aqueles com maior escolaridade.

Freqüência do consumo de 20 ou mais cigarros por dia

A freqüência de indivíduos que declararam fumar 20 ou mais cigarros por dia variou bastante de acordo com os estados e regiões, além de fatores como costumes tradicionais, idade e renda.

Dentre as capitais, o maior índice de dependentes do tabaco encontra-se em João Pessoa. Em São Luís, a quantidade de dependentes do sexo feminino é tão baixa que não chega a 1%.

Álcool

O consumo de álcool da população brasileira foi analisado em dois quesitos: A freqüência de consumo (acima de quatro doses) e a ingestão de álcool associada à condução de veículos. A freqüência de adultos que, nos últimos 30 dias, consumiram em uma única ocasião mais de quatro doses (mulheres) ou mais de cinco doses (homens) de bebidas
alcoólicas, variou mais de 10% de acordo com as capitais.

Em todas as cidades, o consumo abusivo de bebidas alcoólicas foi bem mais freqüente em homens do que em mulheres.
Em ambos os sexos, a freqüência do consumo abusivo de bebidas alcoólicas foi maior nas faixas etárias mais jovens, alcançando mais de 30% dos homens e mais de 12% das mulheres entre 18 e 44 anos de idade.

Entre os homens, a freqüência do consumo abusivo de bebidas alcoólicas pouco varia com o nível de escolaridade das pessoas, mas para as mulheres, a incidência é menor na faixa de menor escolaridade (até 8 anos de estudo)

Direção X Álcool

A freqüência de adultos que, nos últimos 30 dias, dirigiu após a ingestão de álcool apresentou uma variação significativa de acordo com a região, não estabelecendo um padrão.

Essa condição se mostrou bastante mais freqüente entre homens do que entre mulheres em todas cidades. As maiores freqüências, foram observadas, entre homens, em Teresina, Aracaju e Goiânia. Entre as mulheres, as cidades que mais se destacam são: Boa Vista, Porto Velho e Fortaleza.

A pesquisa aponta que, em quase todas as capitais, a faixa etária é fator determinante no que se refere à ingestão de álcool. A prática alcança maior freqüência na faixa etária entre 25 e 34 anos e prevalência maior entre o sexo masculino.
Autor: Ministério da Saúde
OBID Fonte: Ministério da Saúde