Sintomas da Síndrome de Abstinência podem levar a morte se não tratados

Escapar para sempre da atração da bebida é um caminho doloroso e longo para os dependentes de álcool. Não apenas por causa das reuniões de terapia ou por evitar momentos agradáveis e simples, como festas com amigos. A dor também é física. Logo após decidir largar a compulsão por beber, a pessoa deve se preparar para enfrentar momentos duros, como a síndrome de abstinência.

O corpo treme, o sono foge à noite e a ansiedade é comum. Além disso, pode-se sofrer com agitação, hipertensão e taquicardia e outras manifestações. Se os sintomas não forem tratados adequadamente, cerca de 15% dos pacientes podem chegar a morrer. O primeiro período da luta é chamado de desintoxicação, quando o álcool sai do corpo e as manifestações de abstinência devem ser superados.

– Esse conjunto de sintomas faz a equipe de apoio e familiares redobrarem a atenção nas primeiras semanas de tratamento. Por isso, em muitos casos, é recomendado que a pessoa fique internada. Assim, profissionais da saúde vão conseguir ministrar os medicamentos certos e aliviar um pouco o sofrimento – explica o hepatologista Cláudio Augusto Marroni.

Durante a desintoxicação, o tratamento inclui sedação, hidratação e prescrição de vitaminas, tranquilizantes ou até mesmo anticonvulsionantes.

Nem todos precisam ficar internados em clínicas ou hospitais. Nos casos leves, quando há motivação para parar de beber, pode-se realizar a desintoxicação em nível ambulatorial. O paciente passa o dia com a equipe de profissionais, mas à noite é liberado para dormir com a família. Há também doentes que fazem o tratamento todo em casa. Nos casos extremos, a internação é realizada mesmo em desacordo com o paciente.

Há duas situações: a internação involuntária e a compulsória. Na involuntária, a equipe de saúde e os familiares se responsabilizam pelo pedido. Em seguida, o hospital deve comunicar o fato ao Ministério Público. Já a compulsória ocorre por meio de um processo judicial, com a determinação do juiz para avaliação da real necessidade de o paciente ser internado. Em comum, os dois tipos são utilizados em alcoolistas que não reconhecem o problema ou não estão dispostos a lutar contra ele.

– Os casos de internação voluntária ou compulsória só deverão acontecer quando a pessoa está tão comprometida física e emocionalmente que traz sérios riscos à integridade física dela ou das pessoas a sua volta – explica a conselheira do Conselho Regional de Psicologia Loiva De Boni Santos, consultora em Saúde Mental e Dependência Química.
Autor: Editoria Vida
OBID Fonte: Zero Hora