Faculdade de Medicina da Bahia/UFBA faz fotografia do consumo de drogas nas escolas de Salvador

Num criterioso estudo de natureza quali-quantitativa intitulado “Consumo de Tabaco, Álcool e Maconha entre Adolescentes Escolares de Salvador – Bahia orientado pelo Professor Tarcísio Andrade, com o suporte técnico do Serviço de Extensão Permanente Aliança de Redução de Danos Fátima Cavalcanti – ARD-FC e recursos financeiros da FAPESB, foram entrevistados, mediante sorteio, uma amostra de 6.500 jovens entre 11 e 19 anos, da sexta série ao terceiro ano, em 47 escolas públicas e particulares, em 15 das 17 regiões administrativas da cidade de Salvador.

Em paralelo, à participação dos alunos, 14 professores do ensino médio e fundamental foram ouvidos (estudo qualitativo) sobre o consumo de drogas, seus determinantes e como as escolas vem lidando com este assunto. O estudo se constituiu na tese de doutoramento do Médico Adelmo Machado Neto, aprovada pelo Programa de Pós-graduação em Medicina e Saúde/FMB/UFBA, em fevereiro ultimo.

A prevalência geral encontrada para o consumo atual (no último mês) de álcool foi de 31,1%, de tabaco 5,5% e de maconha de 2,1%, correspondendo a uma população estimada de 89.456; 15.911 e 6.009 alunos, para cada uma das três drogas, respectivamente. Considerando-se apenas os alunos que já haviam usado estas drogas pelo menos uma vez, a prevalência do consumo atual foi de 48,7% para o álcool, 30,9% para o tabaco e 32,9% para a maconha, evidenciando que, uma vez iniciado o consumo de maconha, a proporção daqueles que dão continuidade a esta prática não é superior em relação às duas outras drogas, sendo inferior a do álcool.

Entre os determinantes para o uso atual dessas substâncias destacou-se a exposição ao consumo das mesmas por terceiros (pai, mãe, irmão, amigos e namorado), a influência da mídia e a não proibição do consumo pelos pais.

A categoria administrativa (pública e particular) das escolas não foi fator de risco para consumo das drogas entre os alunos.
O consumo de álcool no último ano ou no último mês aumentou as chances do consumo atual de tabaco. O consumo de álcool ou tabaco no último ano ou último mês aumentou as chances para o consumo da maconha em 8 e 9 vezes, respectivamente.

Para os professores que participaram do estudo qualitativo, a ausência da família e o pensamento de que “traficar não é crime” são fatores relevantes para o consumo de drogas ilícitas nas escolas. Eles apontaram, ainda, a necessidade da adequação das políticas públicas voltadas para atenção ao consumo de drogas e de capacitação dos profissionais do sistema educacional, uma vez que se sentem despreparados para lidar com este tema.

Uma proporção significativa (40,4%) de alunos com consumo atual de maconha revelaram já ter oferecido ou vendido esta droga, independente do tipo de escola (pública ou particular). Uma proporção significativa de alunos com consumo atual de tabaco (16,1%), de álcool (13,3%) e de maconha (27,4%) preencheram critérios de dependência para estas drogas.

Em relação ao consumo de outras substâncias 3,3% dos jovens informaram já haver consumido inalantes pelo menos uma vez na vida, seguido por anorexígeno (2,6%), cocaína (2,2%), tranqüilizantes (1,8%), êxtase e LSD (1,3%) e anabolizantes (1,1%). Consumo na vida de anfetaminas, crack, haxixe e heroína foi referido por menos de 1% dos entrevistados. Em relação ao consumo atual destas drogas, chama atenção a prevalência do consumo de cocaína (1,4%); para todas as demais ela foi inferior a 1%.
Com base neste estudo a ARD-FC/FMB/UFBA já elaborou um projeto de intervenção preventiva para capacitação e supervisão de multiplicadores entre alunos, pais, orientadores educacionais e professores.
Autor: UFBA
OBID Fonte: UFBA