Longe da fumaça no trabalho

Ambientes com fumaça e com cheiro de cigarro já não fazem parte de algumas empresas da capital mineira como a Companhia de Abastecimento de Água de Minas Gerais (Copasa), a Vallourec & Mannesmann, a Unimed-BH e a Fundaffemg. Mesmo sem a obrigatoriedade na lei de proibir o fumo em locais fechados, elas adotaram medidas para preservar a saúde dos funcionários e melhorar a produtividade no trabalho. Na Copasa, a luta contra o tabaco foi estimulada pelo resultado de uma pesquisa feita por amostragem em 2005, na qual 94% dos funcionários aprovavam adoção de medidas de restrição ao fumo no ambiente de trabalho. “Desde 1989, já tínhamos um programa para trabalhar o tabagismo, mas que era junto com o de álcool e outras drogas.

O índice de recuperação era de apenas 30%. Meses depois da restrição ao fumo, que ocorreu em 2007, um programa específico foi criado para controlar o tabagismo e os resultados positivos passaram para 75% dos casos”, afirmou a coordenadora do programa de prevenção e atendimento do sujeito em relação ao álcool e às drogas da Copasa, Aparecida Lacerda. Segundo ela, a média de fumantes da empresa gira em torno de 20% e, para atender aos que ainda não largaram o cigarro, a empresa criou fumódromos em uma área ventilada. Na Manesmann, a empresa também optou pela proibição ao cigarro para prevenir ainda o risco de explosões.

Personalizado. O coordenador do Ambulatório de Cessação do Tabagismo do Hospital das Clínicas e especialista em tratamento de fumantes em empresas, o pneumologista Luiz Fernando Pereira, explicou que não há um único modelo de programa para todas as empresas, mas alerta que, para todos os casos, o funcionário deve querer parar de fumar.

Estímulo. Deixar a sala onde trabalha para ir ao pátio fumar foi um dos maiores estímulos para a assistente de trabalhos comunitários da Copasa, Elaine Maria Vieira Baptista, 54, largar a dependência do cigarro. Ela está há cinco meses livre do fumo. “No início da proibição dentro da empresa, já diminuí o número de cigarros, mas me sentia péssima de ir ao pátio. A minha culpa por estar fumando parecia ainda maior quando ia fumar lá”, disse. A assistente afirmou que não se matriculou na primeira turma do programa de cessação de tabagismo da Copasa. No entanto, ao ver outros exemplos de sucesso, ela não teve mais dúvida de que realmente queria parar.

Números

12 meses é o tempo aproximado de um tratamento completo para largar o cigarro

R$ 800 é o custo máximo do tratamento para parar de fumar
Autor: Valquiria Lopes
OBID Fonte: O Tempo