Fumo passivo pode provocar infarto e derrame

Conviver com fumantes pode provocar males ao organismo quase tão grandes quanto fumar. Apenas duas horas de exposição contínua à fumaça já causa alterações nas paredes dos vasos sanguíneos, podendo provocar infarto ou derrame, segundo Jaqueline Issa, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do InCor (Instituto do Coração) de São Paulo. “É a terceira causa evitável de morte no mundo.

Especialistas afirmam que quem convive com a fumaça do tabaco tem cerca de 25% mais chances de ter doenças do coração, por exemplo, e 30% mais probabilidade de sofrer de câncer de pulmão.

“A frequência de doenças respiratórias dobra quando a criança mora com um adulto fumante. Quando são dois fumantes, a incidência de pneumonias é 40% maior e chega a 50% quando há mais de duas pessoas que usam cigarro na casa”, conta Hassan Yassine Neto, pneumologista do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos.

Mas não são só os pequenos que sofrem. Alergias e doenças respiratórias tornam a fumaça mais que um incômodo para pessoas como o dentista Nelson Marques, 57 anos. Ele conta que tem uma alergia terrível, que é atacada mesmo quando alguém fuma na frente de sua casa. “A fumaça entra por baixo da porta”, diz.

Mesmo assim, Marques namora uma fumante. “Ela é educada. Moro em prédio e, quando ela quer fumar, desce até o térreo. Mas me afastei de amigos que fumavam.

Outro que reclama é o escritor Paulo Santoro, 36 anos. “Não só o cheiro é ruim, mas a fumaça também afeta minha asma e rinite. Por isso evito bares e restaurantes.

Com a nova lei antifumo, aprovada pela Assembleia Legislativa e à espera da sanção do governador José Serra (PSDB) para ser aplicada, isso mudará, já que o cigarro será banido dos ambientes públicos fechados. Segundo Jaqueline Issa, a expectativa é que a saúde dos brasileiros melhore, refletindo o que já ocorreu em outros países: “Onde a medida foi adotada, houve queda de 30% nas emergências por isquemia do coração e edema cerebral após três meses”.
Autor: Daniela Ortega
OBID Fonte: Agora São Paulo