O papel do tipo preferido de bebida sobre a gravidade da dependência alcoólica e aderência ao tratamento

No mundo, o uso de álcool é uma das principais causas de morbidade e mortalidade. No que se refere aos pacientes alcoolistas, a baixa aderência ao tratamento pode representar uma diminuição de sua qualidade de vida e uma perda de anos de vida. Ainda quanto ao tratamento, atualmente, não há um consenso se o tipo preferido de bebidas alcoólicas pudesse afetar seu sucesso ou interferir sobre a fissura de álcool. Pensando nisso, o presente estudo teve o propósito de determinar se os diferentes tipos de bebida consumidos por dependentes de álcool estavam associados a diferentes resultados terapêuticos, assim como à maior gravidade de dependência e fissura no início do tratamento.

Cento e cinqüenta e sete homens, de faixa etária entre 18-60 anos e dependentes de álcool foram divididos em 2 grupos (bebedores preferentemente de cerveja ou de destilados) e acompanhados por um período de 12 semanas. Durante esse período, os participantes foram avaliados quanto à fissura, presença de sintomas depressivos, tempo para a primeira recaída, número acumulado de semanas de abstinência e adesão ao tratamento medicamentoso proposto na ocasião.

Conforme os autores, os grupos de bebedores (cerveja vs destilados) não diferiram quanto aos dados sócio-demográficos; medicações prescritas; período da vida em que começaram a surgir problemas relacionados ao uso de álcool; uso médio e diário de cigarros e, finalmente, gramas de etanol consumidos diariamente. Porém, os bebedores de destilados apresentaram maior gravidade de dependência e fissura no início do estudo, histórico de tratamento para alcoolismo mais freqüente e menor condição sócio-econômica. Não houve diferenças quanto ao período de tempo necessário para o acontecimento da primeira recaída ou número acumulado de semanas de abstinência, porém, os bebedores que preferiam cerveja aderiam significativamente mais ao tratamento que os bebedores de destilados, independentemente da forma de tratamento adotada.

Assim, conforme os autores, entre os bebedores de destilados, como o grau de gravidade de dependência é maior e menor é a adesão ao tratamento, maior deve ser o esforço dos profissionais de saúde ao tratá-los. O histórico extenso que apresentam com falhas terapêuticas pode ser uma causa para essa falta de adesão, desencorajando-os de aderir a uma nova proposta de tratamento, de tal forma que os profissionais médicos devem sentir-se estimulados a lidar com essas distorções cognitivas a fim de melhorar os resultados terapêuticos.

Título: The role of alcoholic beverage preference in the severity of alcohol dependence and adherence to the treatment

Autores: Danilo Antonio Baltieri, Fabio R. Daro, Philip L. Ribeiro, Arthur G. De Andrade
Fonte: Alcohol, 1-11, 2009
IF: 2.140
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool