Drogas: Influência negativa pode estar dentro de casa

Quando as mães procuram explicar o contato dos filhos com as drogas, muitas creditam a culpa às más companhias. Mas uma pesquisa feita pela antropóloga Regina Medeiros, da PUC Minas, revelou que, em alguns casos, são os irmãos que exercem influência na descoberta da substância ilícita ou da bebida alcoólica. Regina e uma equipe acompanharam 13 pacientes dependentes de álcool e crack que estavam em tratamento no Centro Mineiro de Toxicomania (CMT), localizado na capital, entre 2004 e 2008. “Andar com más companhias influencia? Essa pergunta sempre nos era feita e fomos atrás das respostas. Saber com quem aquela pessoa andava, quem decidia no tratamento e estava junto nas recaídas.”

A partir dos relatos dos usuários e das entrevistas com familiares e amigos, a pesquisadora percebeu que o irmão assumia dois papéis: aquele que abre caminho para o acesso à droga ou quem dá forças para o tratamento. Outra figura importante citada na vida do alcoólatra é o dono do bar. Conforme o estudo, o dependente escutaria mais os conselhos do comerciante do que os da mulher, filhos e até do pai. “O desafio é trazer esses irmãos e até os donos de bar para participarem das políticas públicas. Eles podem ter papel determinante no tratamento”, afirmou Regina, que pretende agora desenvolver outro levantamento com usuários de crack. Em uma saída para a balada com a irmã, F.R., 30, experimentou o primeiro cigarro de maconha, há cerca de 13 anos. “Fomos a uma festa e a amiga dela levou o baseado. Também estava curioso para saber como era e fumei”, afirmou.

Realidade. Não é difícil encontrar situações que se encaixem na realidade descrita pela pesquisadora. José Dimas Sobrinho é proprietário de um bar na região metropolitana de Belo Horizonte há 33 anos. Ele já foi procurado por uma mãe desesperada devido ao vício do filho. “A mulher pediu para eu não vender mais cerveja e cachaça para o rapaz. Concordei e conversei com ele durante um tempo sobre o problema. Depois, ele conseguiu parar de beber”, relatou. Quando algum conhecido excede, Dimas procura estabelecer um limite.
CMT

Álcool ainda prevalece em atendimento

A maioria dos atendimentos no Centro Mineiro de Toxicomania (CMT) é com dependentes de álcool. Os usuários de crack estão em ascendência desde 2005. Há três meses, A., 37, está em recuperação na capital em decorrência da bebida alcoólica. Natural do Estado de São Paulo, ele chegou até a situação de mendicância. “Vou ficar em Belo Horizonte até cumprir meu plano, ficar bem e voltar a trabalhar como garçom”, disse. (FP) CMT: alameda Ezequiel Dias, 365, Santa Efigênia, em BH
Autor: Flaviane Paixão
OBID Fonte: O Tempo