Avanço das drogas sintéticas preocupa o Brasil

Com o aumento no consumo – estima-se que sejam 480 mil usuários no País – e de mortes por overdose, a luz vermelha foi acesa nos órgãos responsáveis pelo monitoramento e combate ao tráfico de drogas.

O medo é de que, além de grande consumidor, o Brasil pode se transformar num pólo de fabricação e distribuição de drogas sintéticas para a América Latina.

E “estímulos” não faltam. Só no ano passado, esse comércio movimentou no mundo US$ 25 bilhões (R$ 42,5 bilhões) sem a necessidade de utilizar milhares de hectares de terra – como é necessário no cultivo de maconha e cocaína. “A motivação do traficante de ecstasy não é nada diferente do traficante de outra droga: busca de dinheiro rápido, financiar o próprio uso e obter status.

O que chama atenção é que esse jovem traficante de classe média, no caso, o que comercializa a “bala”, é alguém que tem perspectiva de vida”, analisa Murilo Battisti, psicólogo e pesquisador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Uma pesquisa realizada pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) em 108 cidades com mais de 200 mil habitantes revelou que o número de pessoas que já fizeram uso de ecstasy ou outra droga sintética no ano já é semelhante ao de cocaína.

“É uma droga nova, mas seu efeitos são tão devastadores como qualquer outro entorpecente. Parece que os jovens não têm essa consciência.

Esquecem que o ecstasy muda o comportamento e leva, inclusive, ao sexo sem proteção, o que dá margem para outros problemas, como a Aids”, afirma o o representante Regional do Escritório da ONU contra Drogas e Crime (Unodoc) para o Brasil e Cone Sul, Giovanni Quaglia.

Perigo invisível

Desde o último domingo, O Dia mostra o avanço do ecstasy no Brasil e os perigos que as “balas” representam para os jovens. Além dos riscos comuns a todo tipo de droga, os comprimidos importados via Europa, África e América do Sul chegam ao Brasil muitas vezes fora da validade ou com contaminações diversas, devido à manipulação descuidada pelo traficante.

Para as famílias, a ameaça se torna mais grave, pois usuários não se consideram dependentes e, muitas vezes, vendem a droga sem perceberem que estão entrando para o mundo do tráfico.

O risco do “usuário social”

Na opinão de pequisadores, os chamados “usuários sociais” representam um desvio nas estatísticas de usuários de ecstasy.

Como consomem a droga somente em festas, nos fins de semana, eles não admitem o vício. No entanto, sofrem dos mesmos problemas dos dependentes químicos e com um agravante: quem toma “bala”, geralmente, como revelam os números, também faz uso de cocaína e álcool.

“Esses usuários são aqueles que dizem que não são viciados, mas são quem verdadeiramente sustentam o tráfico. Eles usam esporadicamente a droga, mas mantêm ativo o mercado de entorpecentes. Já tive vários casos de pacientes de ecstasy que perderam o emprego por causa do vício, mas sem assumir a dependência.

Eles vão para os eventos e, na segunda-feira, têm que retomar as atividades normalmente, só que os efeitos da droga acabam interferindo. Eles se recusam a ver isso”, afirma a psiquiatra Maria Thereza de Aquino, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas.
Autor: Seção Home
OBID Fonte: Dourados Agora