Crianças dizem “SIM” à vida

Circo tem gargalhada, palhaçada e assunto sério, sim, senhor. O picadeiro do circo Beto Carrero, montado no estacionamento do Bairro Caiçara, na Região Noroeste de Belo Horizonte, foi palco, ontem, da formatura de 520 alunos do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) da Polícia Militar de Minas Gerais. A iniciativa visa a orientar crianças dos 5º e 6º anos do ensino fundamental a ficarem bem longe das drogas. Os formandos são das escolas estaduais Alcindo Vieira e Princesa Isabel, da Escola Municipal Arthur Guimarães e do Colégio Brith Sistema de Ensino. Todas ficam na área de cobertura do 34º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo Proerd na região.

No programa de prevenção ao uso de drogas, os policiais se transformam em professores e, em 10 aulas, ensinam às crianças como escolher os amigos, falam a respeito de valores como autoestima e respeito e explicam sobre maconha, álcool, inalantes e cigarro. E, ontem, seja em forma de música, dança ou num grito de guerra, os alunos mostraram ter aprendido direitinho a lição. “Às drogas, é preciso dizer não!”, cantavam em coro. Rebeca Gonçalves, de 10 anos, aluna do 5º ano do Brith Sistema de Ensino, explica na ponta da língua: “Inalantes são produtos químicos que podem causar até a morte. Se usar drogas, você pode ficar viciado”.

Durante a solenidade de entrega dos certificados, participantes deram depoimentos sobre o que aprenderam

A sargento Célia Aparecida Silva Caetano Ferraz, professora das turmas, explica que é nessa faixa etária, de 10 a 12 anos, que os estudantes vão sair de uma escola pequena para uma maior, época em que também cresce o assédio de traficantes de drogas junto às crianças e jovens. “Ensinamos a não andarem com usuários de drogas, a recusarem quantas vezes for preciso. Monitoramos os alunos que passaram pelo programa e não temos conhecimento de nenhum deles envolvido em crimes violentos”, comenta. A vice-diretora da Arthur Guimarães, Andréa Costa, aprova o programa. “Temos alunos que têm contato com as drogas em casa e no bairro. O Proerd dá o alerta na linguagem das crianças”, diz.

CONSCIÊNCIA

Para muitos formandos, a alegria da formatura é confundida com o prazer de estar sob a lona do circo pela primeira vez. “Imaginei que fosse desse jeito mesmo, queria muito conhecer as animações”, conta Douglas de Paula Martins, de 10 anos. O momento era de descontração, mas o menino fez o alerta: “Droga faz mal, dá problema cardíaco e no cérebro. Teve uma vez que estava com meu colega e vimos uns caras com crack na mão. Na hora, falei com ele para entrar em casa, porque não ia dar coisa boa”. Para Lívia Rocha, da mesma idade, a formatura foi a realização de um sonho. “Sempre quis estudar no Proerd. Aprendi a não mexer com a drogas, não ficar perto de quem usa, pois até a fumaça do cigarro faz mal”, diz.

E a formatura também foi de gente grande. Um grupo de 83 pais participou das aulas do Proerd e, por seis semanas, acompanhou as palestras ministradas pelos militares. “Deu para aprender sobre muitas drogas. Já consigo identificar quem usa e quem não usa. Nunca quis usar e vou ensinar meu filho a dizer não”, afirma Rui Sanclé, de 35, pai de Yuri, do Colégio Brith. Criado em 1992 no país, o Proerd está presente em todos os estados. A inspiração foi o projeto norte-americano Dare (Drug Abuse Resistance Education). Em Belo Horizonte, o programa ocorre em todas as nove administrações regionais, desde 2004. Apenas na Regional Noroeste já foram formados mais de 40 mil alunos.
Autor: Flávia Ayer
OBID Fonte: Estado de Minas