UFRJ impõe lei seca no campus da praia vermelha, na URCA

Uma briga no campus da Praia Vermelha da UFRJ pôs fogo no debate sobre o comércio de bebidas alcoólicas dentro de universidades. No dia 16 de abril, uma festa da Escola de Comunicação acabou em pancadaria generalizada e, desde então, o comércio de qualquer bebida com álcool está proibido dentro das unidades da federal do Rio. Para os estudantes, foi um caso isolado, mas, na visão da diretoria da UFRJ, o incidente foi a gota d´água.

– Há mais ou menos um ano, vínhamos recebendo queixas sobre consumo descontrolado de bebida no campus na Praia Vermelha. Chegamos a proibir a venda algumas vezes, mas sempre tivemos certa tolerância. Só que esse episódio no mês passado foi a gota d´água – comenta o prefeito da Cidade Universitária, professor Helio de Mattos Alves.

A venda de bebidas na Praia Vermelha foi suspensa no início do ano. No dia 16 de abril, alunos da ECO tiveram permissão para fazer uma festa cujo objetivo era, justamente, mostrar que álcool no campus não gera problemas. Mas, no meio da festa, um calouro teria começado uma discussão com o motorista de um carro, perto do estacionamento. Outro estudante teria chegado para tentar acalmar os dois e teria levado um soco do calouro. Vários amigos do agredido teriam reagido e atacado o calouro, que teria até levado uma cadeirada nas costas.

– Para evitar um linchamento, os seguranças levaram o aluno para uma guarita. Mas uma multidão o seguiu e até apedrejou o abrigo. Nada que ele possa ter feito justifica tanta agressividade. E tudo é culpa da bebida em excesso. A geração atual abusa do álcool, e isso não ocorre só na UFRJ. É tendência mundial. Precisamos impor limites – afirma o prefeito da UFRJ. – Notificamos os três estabelecimentos que vendiam bebida na Praia Vermelha sobre a proibição. Na Ilha do Fundão, a venda está banida até um raio de cem metros dos prédios. As outras unidades não têm comércio de álcool.

Segundo Mattos Alves, há cerca de um ano ele recebeu um abaixo-assinado, subscrito por professores e até alunos da Praia Vermelha, pedindo providências quanto ao uso desmedido de bebida. Mas a estudante Carol Barreto, representante do Centro Acadêmico da ECO, disse que sequer ficou sabendo disso. Na opinião dela, o que a reitoria realmente quer é acabar com a confraternização no campus.

– A confusão na festa do dia 16 foi um caso isolado, mas a reitoria está usando isso como pretexto. O fim da venda de bebidas é mais uma medida para acabar com qualquer confraternização no campus da Praia Vermelha. A reitoria também vem proibindo festas há meses. Os alunos não podem mais usar o campus para suas atividades. Vamos fazer um abaixo-assinado em protesto a tudo isso – garante a líder estudantil.
Autor: Seção Educação
OBID Fonte: O Globo Online