Lei faz fumante se tratar

Válida a partir de 6 de agosto, a lei paulista de restrição ao cigarro já mexe com a rotina dos hospitais da capital. Com a projeção de que mais fumantes decidam abandonar o vício, o ambulatório Prevfumo, da Unifesp, que faz 5.000 atendimentos por ano, será ampliado.

Elevará em 25% a carga horária de cada membro de sua equipe, que passará de 17 para 21 profissionais, como médicos e psicólogos, que auxiliam dependentes a parar de fumar. Em programas semelhantes de tratamento de tabagismo do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas) e do Hospital Universitário da USP, a procura já aumentou –cerca de 30% no primeiro e 20% no segundo– desde o início de abril, quando a Assembleia Legislativa aprovou as restrições do cigarro em locais públicos.

Proposta pelo governador José Serra (PSDB), a lei banirá o cigarro de locais fechados como bares, restaurantes e empresas, que podem ser multados e punidos com até 30 dias de fechamento. “As pessoas que nos procuram têm citado a lei como motivação para parar de fumar. Dizem que será ruim ir a um barzinho e não poder acender um cigarro, então já pensam em largar o vício de vez”, diz a cardiologista Jaqueline Scholz Issa, diretora do Programa de Tratamento de Tabagismo do InCor.

Frederico Fernandes, pneumologista do Ambulatório Antitabagismo do Hospital Universitário da USP, tem a mesma percepção. “A pressão para parar de fumar está aumentando com a aprovação da lei. E muita gente não consegue ficar em uma situação social, como um restaurante ou uma festa, sem cigarro.

Gratuitos, os programas de tratamento costumam registrar espera de algumas semanas para agendamento. O paciente pode ter de arcar com os medicamentos.

Outros países
O maior número de atendimentos no InCor e no Hospital Universitário são dois instantâneos que dão força à hipótese de que, diante das restrições, mais pessoas desistiram do vício –e, com isso, fiquem menos doentes.

Foi o que aconteceu em países onde leis semelhantes foram implantadas. Diversos estudos apontam queda considerável de fumantes entre os moradores de Nova York. Uma pesquisa do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), do governo americano, aponta 19% menos adeptos do fumo entre 2002, antes das restrições começarem, e 2006. Na Itália, onde as restrições valem desde 2005, o número de ataques cardíacos entre pessoas de 35 e 64 anos caiu 11%.

A lei é estímulo para a consultora de vendas Maria Regina Penteado, que procurou o InCor há um mês e não fuma desde então. “No elevador, as pessoas olham feio se você está com cheiro de cigarro. Com a lei, a cobrança vai aumentar. Além disso, o cigarro faz falta quando se sai para beber.”
Autor: Editoria São Paulo
OBID Fonte: Folha de S. Paulo