Omissão que leva ao vício

Janilton Sanejo diz que a maior preocupação é quando uso precoce resulta na formação de novos alcoólastrasO álcool é a droga mais usada no mundo. No Brasil, especialmente, a bebida tornou-se um componente de socialização e parte integrante das festividades. O consumo de bebidas alcoólicas está inserido em nossa cultura como fator social reforçado, o que o torna problema de saúde pública. Afinal, trata-se de um dos maiores causadores de doenças.

Segundo estudos nacionais feitos pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), o consumo de álcool tem aumentado. Em 2001, 68,7% da população já tinham usado algum tipo de bebida alcoólica pelo menos uma vez na vida. Quatro anos depois, o consumo chegou a 74,6%, aumento de 8,5%.

O CEBRID conduziu uma pesquisa relacionada ao consumo de bebidas alcoólicas entre estudantes da rede pública nas 27 capitais. O estudo revelou percentuais elevados. Dos 48.155 estudantes ouvidos, 65,2% haviam usado algum tipo de bebida alcoólica pelo menos uma vez na vida (66,3% meninos e 64,5% meninas).

A grande preocupação é o início do consumo da bebida cada vez mais cedo. A pesquisa identificou que na faixa etária dos 10 aos 12 anos o uso foi de 41,2% e dos 13 aos 15, de 69,5%. Houve aumento na dependência. Em um primeiro levantamento, 11,2% das pessoas entre 12 e 65 anos foram identificados como dependentes do álcool. Em 2005, este percentual subiu para 12,3%.

O psicanalista Janilton Sanejo acredita que a pesquisa explicita uma realidade que muitas pessoas sequer imaginam. “O que mais preocupa é quando o uso precoce resulta na formação de novos alcoolistas”. O uso precoce compromete o sistema nervoso central, que está em formação nessa faixa etária. Dependendo da quantidade e da frequência com que o adolescente consome álcool, danos irreversíveis à estruturação das redes neuronais podem ocorrer.

“Deveria ser inaceitável que menores de 16 anos estivessem expostos a qualquer ingestão alcoólica. Não me refiro à lei, que já traz essa previsão, mas aos pais, que frequentemente são omissos ou permissivos. Há os que não sabem como lidar com a questão, mas acabam não buscando ajuda profissional.”, comenta o psicanalista.

Tratamento

O SUS oferece tratamento para dependentes de álcool e outras drogas nos Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas. Esses serviços diários extra-hospitalares têm uma base comunitária e uma equipe de psicólogo, psiquiatra, assistente social, terapeuta ocupacional, clínico geral, enfermeiro, entre outros.
Autor: Taís Calado
OBID Fonte: Jornal da Comunidade