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No DF, 2.6 mil pessoas morrem por ano de doenças provocadas pelo tabagismo

Por ano, 2,6 mil pessoas morrem de doenças provocadas pelo tabagismo no Distrito Federal. Um terço delas por doenças cardiovasculares, além do derrame cerebral, enfarto agudo do miocárdio e de câncer, na sua maioria de boca, laringe e pulmão. Um evento programado para o próximo dia 31 (domingo) pretende promover a conscientização da gravidade do tabagismo no dia em que se comemora o Dia Mundial Sem Tabaco.

O coordenador do Programa de Controle do Tabagismo da Secretaria de Saúde do DF, Celso Rodrigues, conta que pela primeira vez em Brasília haverá uma caminhada dos ex-fumantes no Parque Dona Sarah Kubitschek, mais conhecido como Parque da Cidade. “Reservamos 2,5 mil camisetas que serão trocadas por 1kg de alimento não- perecível e doados a entidades que cuidam de pacientes com câncer e dependentes químicos”, explica. Além disso, fumantes e ex-fumantes que forem até o Parque poderão passar por exames preventivos de câncer bucal e teste de capacidade pulmonar.

Segundo Rodrigues, atualmente no DF existem 300 mil fumantes. Em 2008, 2 mil 604 perderam a vida, o que equivale a oito pessoas por dia. Duzentos e noventa e oito delas de câncer de pulmão, destas 100 eram mulheres. “Não tem doença no mundo que mate tanto como as provocadas pelo tabagismo. O número de óbitos de mulheres tem aumentado cada vez mais. O organismo das mulheres é mais suscetível à doença”, afirma o coordenador do programa no DF.

Prejuízo

O DF gasta por mês mais da metade da receita que recebe do Governo Federal para assistência à saúde com tratamentos e diagnósticos de doenças relacionadas ao tabaco. São R$ 12 milhões dos R$ 20 milhões que a Secretaria de Saúde recebe mensalmente. “Não temos estudos, mas acreditamos que a maioria dos leitos dos hospitais, hoje, estejam ocupados por fumantes”, conta o coordenador do Programa de Controle do Tabagismo, Celso Rodrigues.

Tratamento

A rede pública de saúde tem hoje 31 unidades de tratamento disponíveis para aqueles que desejam largar o cigarro. Os interessados devem ligar para 0800 61 1997, e informar o local onde mora e trabalha, em seguida o atendente orienta a pessoa a procurar o Centro de Saúde mais próximo que oferece o serviço. O tratamento é gratuito e inclui os medicamentos necessários.

O fumante deve comparecer a quatro reuniões de grupo, uma vez por semana no período de quatro semanas consecutivas. Cada encontro tem a duração de duas horas. Após isso, as sessões passam a ser de 15 em 15 dias, durante dois meses. Alcançados isso, passa a ser mensalmente. A pessoa é considerada ex-fumante após um ano de tratamento. O Programa de Controle do Tabagismo também oferece seis cursos de tratamento ao tabagismo por ano para especialista da rede pública e privada. “Queremos que todos aprendam a tratar o fumante direitinho”, disse Rodrigues.

Um tratamento como este na rede particular pode “doer” o bolso. A consulta inicial sai a R$ 300, e as outras a R$ 150 (cada). Hoje, poucos profissionais aceitam convênios. Segundo Rodrigues, as pessoas preferem procurar o atendimento público por conta dos valores cobrados nos remédios. Uma goma sai a R$ 1 a unidade, os adesivos a R$ 50 uma caixa que serve para 7 dias e de R$ 80 a R$ 100 uma caixa de 60 comprimidos antidepressivos, o Bupropiona. Um remédio mais moderno, ainda não disponível na rede pública, pode sair a R$ 700, para ser usado em 12 semanas.

Alerta!

O costume indiano que tem tomado conta das festas de jovens e adolescentes do DF, o narguillé, apesar de parecer inofensivo é mais prejudicial do que o cigarro. “Uma tragada equivale a 10 cigarros. Após quatro rodadas, eles ficam dependentes”, explica Rodrigues. A droga pode variar entre R$ 30 a R$ 300. Ele explica que as pessoas acreditam que como a tragada passa por cima da água, e ela fica com cor de café acontece uma purificação. Mas, apesar de permanecer aromas de morango, baunilha e chocolate nos lábios, a nicotina não fica na água. “Faço um alerta aos pais para esclarecerem isso aos seus filhos. Verificamos também a possibilidade de se criar uma lei no DF proibindo o naguillé”, diz.
Autor: Cecília de Castro
OBID Fonte: Correio Braziliense