Restrição é mais eficiente no combate ao fumo

Parar de fumar não é responsabilidade exclusiva do fumante. Segundo o coordenador do Programa de Controle do Tabagismo da Secretaria Municipal da Saúde, João Alberto Lopes Rodrigues, medidas de restrição ao tabaco são as que causam o maior impacto na redução do número de fumantes. Em Curitiba, 18% da população acima de 18 anos é tabagista. Para deixar de ser considerado um problema de saúde pública, o índice precisa estar abaixo de 10%.

Conforme explica o médico sanitarista, além de fazer mal ao fumante e às pessoas próximas, a fumaça do cigarro, por ser altamente tóxica, traz graves malefícios para o ambiente. Por esse motivo, restringir o consumo, como a proibição em lugares públicos, é a melhor estratégia para incentivar o abandono do hábito.

“No início, o fumante acha que as restrições ferem sua escolha e privacidade. Mas depois ele começa a aceitar aquilo como natural e, mesmo que não consiga parar completamente, ele vai reduzir o consumo”, afirma.

Para incentivar o controle do tabagismo, várias ações devem ser trabalhadas em conjunto, a começar pela prevenção da iniciação. Na Capital, 15% dos adolescentes entre 11 e 17 anos são fumantes. Outro dado relevante para pensar estratégias de combate ao fumo é que, entre os cerca de 240 mil curitibanos fumantes, 80% têm menos de 11 anos de escolaridade. “Por isso, medidas como as fotos nas caixinhas de cigarro têm um grande impacto, pensando que a imagem leva a informação para todo mundo. Além de tirar o glamur do produto”, avalia Rodrigues.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tabagismo ativo e o passivo são a segunda e a terceira maior causa de morte que podem ser evitadas no mundo, atrás apenas do alcoolismo. O fumo é responsável por 90% das mortes por câncer de pulmão; 30%, por câncer em geral; 25%, por infarto do miocárdio; 85%, por enfisema pulmonar; e 25%, por AVC (derrame).

Ainda conforme o Inca, em bebês os malefícios do fumo passivo são maiores. Eles têm cinco vezes mais chances de morrer sem uma causa aparente, além de maior risco de doenças pulmonares até um ano de idade.

Neste domingo, 31, é o Dia Mundial Sem Tabaco. Até hoje, a Prefeitura de Curitiba realiza atividades relacionadas ao combate ao fumo no setor de Orgânicos do Mercado Municipal.
Autor: Marcela Rocha Mendes
OBID Fonte: Folha de Londrina