Fumo cresce entre jovens e pobres

O Dia Mundial Sem Tabaco, mobiliza a sociedade no debate sobre políticas públicas em relação ao problema, considerado epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a entidade, o fumo mata 5,4 milhões de pessoas anualmente. Se a situação não se reverter, o prognóstico da OMS é que as mortes atinjam 8 milhões em 2030. A instituição e a classe médica avaliam que o tabagismo está crescendo em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, nas camadas sociais menos favorecidas e entre jovens.

O pneumologista do Hospital São Lucas da PUCRS José Miguel Chatkin afirma que a América Latina tem 180 milhões de fumantes. “As tendências atuais são a pauperização e a juvenilização do fumo, além do aumento da dependência entre mulheres, principalmente em países em que a repressão sexual ainda é forte”.

Com o mote “Mostre a verdade. Advertências Sanitárias Salvam Vidas”, foi escolhido para 2009 o tema das imagens exibidas nas embalagens de cigarros. Conforme a OMS, um dos pilares dessa estratégia está no fato de que a embalagem é o principal elo entre o produto e as suas formas de promoção. No dia 27, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), responsável pelas políticas contra o tabagismo no âmbito federal, divulgou dados preliminares de pesquisa sobre as advertências, realizada em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o estudo, 48,2% dos fumantes disseram que os avisos geram propensão a abandonar o uso da droga. As novas imagens foram lançadas neste mês pelo Inca.

Segundo a técnica da Divisão de Controle do Tabagismo do órgão Cristina Perez, as ações do instituto têm o objetivo de desconstruir a imagem positiva do cigarro mostrada pela indústria fumageira. “As imagens são agressivas porque a intenção é tornar o ato de fumar menos atrativo. O público precisa entender que fumar não é um hábito, mas uma doença.”

A coordenadora estadual do Inca, Tânia Santos, ressalta que 96 municípios e 162 unidades de saúde do RS aderiram ao programa de controle do tabagismo do governo federal. “A contrapartida estadual é capacitar profissionais para o atendimento à população. O papel do Ministério da Saúde e do Inca é distribuir medicamentos. As secretarias municipais da Saúde aderem com equipe e unidades.”

Para a coordenadora de Relações Institucionais da organização não governamental Aliança de Controle do Tabagismo, Daniela Guedes, a indústria do tabaco encontra novos caminhos de atuação. “Com as severas restrições à publicidade do cigarro, a indústria tem investido nas embalagens e nos pontos de venda para atrair o consumidor”, destaca. Na sua opinião, não é possível aplicar a lei federal que garante ambientes livres de fumo sem fiscalização. “No Brasil, temos que coibir o uso. Só educação não funciona”, constata.
Autor: Helena Furtado
OBID Fonte: Correio do Povo