CONEM e escolas vão debater o uso de drogas entre alunos

A crescente incidência de drogas dentro das escolas das redes pública e privada é o tema de seminário no dia 19 de junho, abrindo a Semana Nacional de Políticas sobre Drogas. O evento realizado pelo Conselho Nacional de Entorpecentes no Estado (Conen/RN) e Proerd vai reunir gestores em Educação e nove especialistas no assunto para apresentar o plano de enfrentamento ao problema.

“No primeiro semestre deste ano percebemos um aumento nos casos de estudantes envolvidos com drogas em todo o país” explica a coordenadora do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas), Major Margarida Brandão. Segundo ela, a ideia é que ao longo dos próximos cinco anos a rede de educação para o combate às drogas seja fortalecida. “As escolas estão saturadas de projetos, elas querem ações”.

A primeira etapa do projeto é mapear a rede e selecionar as escolas com mais problemas de drogas e violência. “Começaremos pelas privadas, em seguida as escolas estaduais e, por último, as municipais. Não é um processo imediato, é preciso um comprometimento dos envolvidos para um projeto continuado”.

Nos primeiros dois anos as instituições que precisam de atenção mais urgente receberão orientação de especialistas para trabalhar estratégias de combate e prevenção adequadas à sua realidade. O problema de drogas nas escolas sempre existiu segundo a coordenadora do Proerd, mas algumas instituições – principalmente da rede privada – tinham receio de pedir ajuda, com medo de que a divulgação gerasse uma imagem negativa.

“Os gestores das escolas e os pais precisam assumir a responsabilidade. Mas mesmo quando as escolas marcam reuniões, os pais não comparecem”, diz Brandão, e faz um alerta. “Se as famílias não acordarem para seu verdadeiro papel a situação vai piorar cada vez mais”.

Não há estatísticas precisas sobre a realidade no estado, mas ela explica que na faixa etária dos 12 a 16 anos, é comum que o lado social seja mais importante do que a família para os adolescentes, daí a facilidade de se incorporar as drogas. Por causa disso, os valores negativos podem ser influenciados pelo grupo do qual querem fazer parte, uma vez que o jovem nessa idade ainda não tem os valores incorporados com muita propriedade.

“Entre os meninos o crack é mais comum, independente da classe social, enquanto as meninas vem consumindo cada vez mais as conhecidas bebidas ice”.

A família e a escola, segundo ela, ajudam o jovem a entender até que ponto vale a pena deixar de lado valores construídos pela família, para aceitar os de um grupo de amigos. “A referência positiva está no pai e na mãe. A escola é um fator de proteção mas não funciona só, e juntas contribuem para formar um cidadão completo”.

A coordenadora do Proerd acrescenta que os pais geralmente ficam surpresos diante dos acontecimentos, e não acreditam no envolvimento do filho, pelo fato do jovem não transparecer, e estudar nas melhores escolas. “A família precisa buscar um equilíbrio, perceber se está se doando demais a compromissos externos e esquecendo dos filhos”.

Pesquisa constata consumo de drogas

Os dados são de 2004, mas o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), vinculado à Escola Paulista de Medicina (EPM), tem um levantamento sobre o uso de drogas na rede pública de ensino das 27 capitais do país.

Em Natal, a pesquisa do Cebrid constatou que entre os 1.663 alunos entrevistados, 25,0% dos homens fizeram uso de drogas na vida, enquanto 16,8% foram de mulheres. Mas, 28,65% dos estudantes nada informou.

Quando perguntou-se se algum aluno fez uso de droga no ano, o percentual de homens que responderam positivamente foi 21,2%, enquanto o de mulheres foi de 15,8%. Outros 24,7% nada responderam.

Em relação ao uso no mês, o índice de homens foi 15,5 % e o de mulheres 11,1 %. Nada informaram 19,9 %.

A pesquisa do Cebrid ainda mostrou que apenas 2,8% dos homens fazem uso frequente de droga, contra 1,4 % das mulheres.

Com relação ao uso pesado de drogas, a pesquisa apontou que somente 1,6% dos homens responderam afirmativamente, enquanto só 0,9% das mulheres responderam positivamente.

Já em relação à faixa etária, os jovens dos 16 aos 18 anos são quem mais usam droga, segundo a pesquisa do Cebrid, pois 35,9% fizeram uso na vida, outros 33,6% usam no ano e 25,0% usam no mês. Já o uso frequente envolve 5,8% dos entrevistados e 4,8% disseram usar drogas pesadas, exceto álcool e tabaco.

O tipo de droga mais usado durante a vida, segundo os estudantes informaram na pesquisa, são de solventes (15,6%) energéticos (7,5 %), depois vêm maconha, com 4,7 %.
Autor: Editoria Natal
OBID Fonte: Tribuna do Norte