Luta contra o crack ganha novos aliados

Situado em uma área conflagrada pelo tráfico de drogas da Capital, o empresário José Mazzarollo, 53 anos, incorporou-se a estudantes na luta contra o crack.

Inspirado na campanha Crack, Nem Pensar, do Grupo RBS, ele decidiu imprimir 50 mil folhetos alertando sobre os riscos do “inimigo terrível que escraviza pessoas, acaba com famílias e degrada a juventude”, conforme o material impresso.

O consumo e o tráfico de drogas às portas da gráfica de Mazzarollo, na Avenida Voluntários da Pátria, agravaram-se nos últimos quatro anos com a disseminação do crack. O dia a dia do empresário e de 50 funcionários é marcado pelo medo decorrente da circulação de usuários, brigas e assaltos impulsionados pelo tráfico.

– Estou aqui há 11 anos. Já pensei até em mudar a empresa, mas, além do custo, não é todo local que é liberado para indústrias – contou Mazzarollo.

Na ofensiva que pretende evitar o surgimento de novos usuários de crack, o empresário se associou a alunos do Colégio Vicentino Santa Cecília, que está mobilizado em ações preventivas contra as drogas.

Na manhã de ontem, 10 alunos percorreram as ruas do entorno da Estação Rodoviária para entregar os panfletos elaborados pela Gráfica e Editora Comunicação Impressa. O material, que reproduz dicas para manter o lar livre da droga, instituições de apoio e a reportagem Uma Jovem Voluntária na Guerra contra o Crack, publicada em Zero Hora no dia 2, foi entregue a pedestres, passageiros e taxistas que circulavam pela área. À tarde, a entrega de folhetos seguiu no entorno da escola, no bairro Santa Cecília.

– Quando não se fala na destruição causada por essa droga perigosa, mais ela se alastra – opinou a aposentada Marta dos Santos, 60 anos, que recebeu um panfleto enquanto esperava um ônibus para Quintão.

Entre os taxistas abordados pelos estudantes, um se mostrou extremamente sensibilizado com a mobilização juvenil. Com 50 anos, ele convive com o problema em casa há dois anos, quando descobriu que o filho de 20 anos havia se envolvido com o crack. Ele contou ao grupo que o filho começou fumando maconha, passou pela cocaína e pelo pitico (maconha com crack) antes de chegar à pedra.

– Ele usou por 10 meses, foi para uma fazenda terapêutica e saiu há quatro meses. Ele não usa mais, mas o perigo é constante. Não deixo dinheiro ao alcance dele, pois o controle tem que ser grande – relatou o taxista, que elogiou a iniciativa.

O estudante Renato Noumann, 17 anos, do 3° ano do Ensino Médio, disse que a prevenção do uso do crack deve ser um trabalho de toda a sociedade. Segundo a diretora administrativa e pedagógica do Colégio Vicentino Santa Cecília, irmã Maria José de Souza, ações como a realizada fazem parte do Programa de Valorização da Vida, desenvolvido constantemente nas salas de aula. No próximo domingo, a distribuição dos panfletos contra o crack será feita pelos alunos no Brique da Redenção.
Autor: Editoria Geral
OBID Fonte: Zero Hora