Fumantes aprovam proibição

Tadeu fuma há 25 anos. Já parou por três anos, mas o vício falou mais alto e hoje ele tem que sair do apartamento onde mora com a família sempre que quer dar uma tragada. Sonia também fuma há mais de duas décadas e até ficou seis anos sem acender um cigarro. Hoje está tentando parar. Em comum, o contato publicitário Tadeu Nascimento, 52 anos, e a professora Sonia de Marchi, 52, não têm só a dependência do tabagismo: apesar de fumantes, eles são a favor da proibição do cigarro em ambientes coletivos públicos e privados, prevista no projeto de lei enviado, anteontem, pelo governador Roberto Requião (PMDB) à Assembleia Legislativa.

“Fumante, hoje, está perdendo espaço”, diz Nascimento. Ele confessa sentir-se inibido a fumar sempre que encontra um cartaz proibindo o uso de cigarro. “Temos que saber respeitar o direito dos outros.” Nascimento fuma de oito a dez cigarros por dia e conta que a vontade aumenta quando sai para pescar ou quando toma um cervejinha com os amigos. “Em casa eu não fumo senão apanho da mulher e dos filhos, mas sei que preciso parar.”

Para Sonia, a nova lei pode fazer com que os fumantes tomem consciência de que o cigarro mata e prejudica outras pessoas. “Eu, por exemplo, não fumo em ambientes fechados nem dentro de casa”, assinala a professora, que associa o cigarro à cerveja e ao cafezinho. “Mas me sinto mal em fumar onde é proibido, fico inibida.”

Rafael Armelin, dono de uma danceteria, não fuma e não gosta de cigarro, mas acredita que deve ser destinado um espaço nos bares e restaurantes para os fumantes. “Não acho que a lei irá diminuir o movimento. Quem gosta de sair, vai procurar outros lugares onde poderá fumar de alguma forma”, opina. Segundo ele, os clientes da danceteria não costumam reclamar da fumaça do cigarro.

Marcelo Camargo, dono de um restaurante no Centro, acha que a lei estadual não trará nenhuma novidade em relação à legislação municipal, que já proíbe o cigarro em ambientes fechados. Para ele, que foi pioneiro na divisão de espaços para fumantes e não fumantes, a população já está mais consciente. “Acho que essas leis muito radicais são desnecessárias. A cultura do brasileiro já está mudando e uma transição gradual facilitaria a adaptação de todos”, avalia Camargo, para quem o movimento dos restaurantes não deve ser comprometido.
Autor: Mariana Guerin
OBID Fonte: Folha de Londrina