Prevenção à violência contra crianças e adolescentes

O que é?

É tudo o que fazemos ou deixamos de fazer que provoque dano físico, sexual e/ou psicológico à criança ou ao adolescente.

Exemplos:

  • violência física: beliscões, cintadas, chineladas, puxões de orelhas, uso da força física ao tocar na criança ou no adolescente;
  • violência sexual: manipulação da genitália, exploração sexual, ato sexual com ou sem penetração;
  • violência psicológica: rejeição, desrespeito, depreciação, rotulação, xingamento, cobrança e punições exageradas;
  • negligência ou abandono: falha ou omissão em prover os cuidados, a atenção, o afeto e as necessidades básicas da criança ou do adolescente, como saúde e alimentação.
  • Indicações de que uma criança e/ou adolescente possa estar sendo vítima de violência:

  • lesões físicas;
  • doenças sexualmente transmissíveis (DST);
  • problemas de aprendizagem;
  • comportamento muito agressivo ou apático;
  • comportamento extremamente tenso;
  • afastamento, isolamento;
  • conhecimento sexual inapropriado para a idade;
  • negar-se a voltar para casa;
  • idéias e/ou tentativas de suicídio;
  • autoflagelação;
  • fugas de casa;
  • choro sem causa aparente;
  • hiperatividade;
  • comportamento rebelde;
  • desnutrição;
  • aparência descuidada e suja.
  • Atitudes que podem ajudar a criança ou o adolescente vitimizado:

  • não culpá-la;
  • mostrar que ela não está só;
  • acreditar nela;
  • deixar que ela fale sobre seus sentimentos;
  • incentivar a procura de ajuda profissional;
  • não criar expectativas que não sabe se poderão ser cumpridas;
  • reforçar atitudes positivas da criança/adolescente;
  • incentivar a autoconfiança;
  • dizer e permitir que seja diferente;
  • respeitar seu jeito de ser.
  • Há um bom tempo as crianças e os adolescentes eram tratados com pouca ou nenhuma consideração. Posteriormente, muitos confundiram a relação mais aberta e afetuosa com falta de limites. Hoje em dia, há uma busca de equilíbrio, já que essas duas formas de tratar a criança/adolescente não trouxeram resultados satisfatórios.

    O que fazer:

    Tratar a criança/adolescente como pessoa em condição diferenciada de desenvolvimento. Ter claro, querendo ou não, que nós somos um modelo para a criança/adolescente e que é preciso avaliar sempre nossa atuação. Saber que rigidez, autoritarismo, gritaria não têm nada a ver com dar limites.

    Orientações aos pais:

  • converse com seus filhos sobre sexualidade. É melhor que eles procurem tirar suas dúvidas com você do que com um estranho;
  • discuta com seus filhos as regras e limites que considera importantes na educação deles. Assim terão a noção da importância de seguir regras e respeitar limites;
  • converse sobre a vida sexual de seus filhos; dê a eles informações sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis;
  • preste atenção ao comportamento de seus filhos; se houver mudanças, pergunte o que está acontecendo;
  • não tenha vergonha, abra seu coração e se aproxime ao máximo de seus filhos, demonstre seu cuidado e preocupação;
  • a melhor forma de educar é conversando, elogiando, incentivando e ressaltando tudo de bom que a criança/adolescente faz.
  • Os pais e/ou responsáveis devem saber que:

  • suas palavras, atitudes e atos de omissão podem ser prejudiciais;
  • são exemplos para seus filhos;
  • crianças e adolescentes precisam do apoio de seus pais ou responsáveis;
  • não existe justificativa para a continuação dos maus-tratos.
  • Os direitos da criança/adolescente:

  • direito de não ser maltratado;
  • direito de sentir raiva pelas palavras que ouve e pancadas que leva;
  • direito de escolher livremente;
  • direito de mudar sua situação;
  • direito de viver sem medo;
  • direito de pedir e receber ajuda;
  • direito de não estar isolado e de compartilhar seus sentimentos;
  • direito de dizer o que pensa e sente;
  • direito de não ser perfeito.
  • Refletindo …

  • bater não é educar, pois mesmo que obedeça, a criança/adolescente não aprenderá verdadeiramente, apenas deixará de fazer certas coisas por medo de apanhar e não por respeito;
  • apanhando, a criança/adolescente aprenderá a temer o maior, o mais forte ou o mais poderoso;
  • aprenderá que a violência ou a força bruta é mais importante que a razão e o diálogo;
  • pensará que ocultar ou esconder fatos pode dar bons resultados, evitando palmadas;
  • verá o adulto, figura de quem a criança/adolescente espera proteção e amparo, como não sendo confiável;
  • aprenderá que de quem se espera amor podem vir pancadas e agressões.
    1. Ninguém precisa sentir dor para aprender:

    2. educar e ensinar limites são atos de amor e proteção, um dever importantíssimo dos pais;
    3. a educação baseada em violência, ameaças ou mentiras pode até ter resultados imediatos, mas ensinará apenas o medo e não o respeito. Poderá deixar marcas no corpo e na alma para o resto da vida;
    4. dizer sim ou não na hora certa, com firmeza e segurança; sendo firmes e constantes eles aprenderão o que é certo e o que é errado, dessa forma, estarão sendo preparados para a vida.
    5. O que fazer para não perder a autoridade:

    6. cumpra o que diz (se prometeu, faça);
    7. seja coerente;
    8. cuidado com o que diz e com o modo como diz (critique o ato, nunca a personalidade ou a pessoa da criança/adolescente);
    9. evite usar rótulos, isto é, chamar diretamente ou falar da criança/adolescente como sendo burra, danada e outros adjetivos, além de frases do tipo: “tinha que ser você”. Embora pareçam inofensivas atitudes como estas podem influenciar negativamente causando danos à personalidade;
    10. lembre-se que a conquista do carinho e da confiança é primordial para o processo educativo.
    11. As crianças e os adolescentes se desenvolvem pelas mãos de seus pais e responsáveis, aprendendo com tudo o que ouvem e vêem. É papel dos pais cuidar de seus filhos, promovendo sua saúde, estimulando seu desenvolvimento, ensinando regras de segurança, amor e respeito para que consigam crescer saudáveis e felizes.
      Fonte: Ministério da Saúde www.saude.gov.br