Como conversar sobre o crack?

Se você tem filhos com idades entre 10 e 20 anos que estudaram ou estudam nas escolas da cidade, provavelmente teve contato com cartilhas do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) da Polícia Militar.

Em uma década, o braço educativo da PM já alertou alunos de 4ª e 6ª séries do Ensino Fundamental sobre os prejuízos causados pelo consumo de drogas como o crack, usada por 5 mil dos 20 mil dependentes químicos de Blumenau, segundo o Conselho Municipal de Entorpecentes (Comen). É imprescindível que os pais participem dessa conscientização antidrogas. Aos que não sabem como iniciar a conversa, a policial e instrutora do Proerd Delair Menin dá a dica:

– É preciso focar em por que não experimentar e como dizer não à oferta.

O Proerd elegeu crianças de 10 a 12 anos como público-alvo porque é nesta fase que a curiosidade está aguçada. No entanto, cabe a cada pai analisar o momento certo de abordar o assunto com o filho. O recomendável é que o papo ocorra quando a criança demonstra interesse no assunto.

– Pode ser quando ela vê uma notícia de prisão de traficante na TV ou com campanhas antidrogas como a do Crack, Nem Pensar! (do Grupo RBS). Pergunte a opinião da criança sobre isso e analise até que ponto ela tem conhecimento – recomenda.

Segundo a instrutora do Proerd, a conversa tem de mostrar que o uso de drogas é um caminho prejudicial:

– Eles têm de saber que a droga não é o caminho, porque traz prejuízos para a saúde e pode levar à prisão.

O gerente de apoio ao Comen, Mauro Medeiros, ressalta que é preciso esclarecer quais efeitos ruins a droga causa. Para o psicólogo com atuação na área de saúde pública e professor da Furb Álvaro Luiz de Aguiar, o diálogo para prevenir o uso de drogas só funciona quando sustentado por um bom exemplo:

– Se os pais bebem álcool ou fumam, irão falar com que moral?

Serviço

Proerd – Pais também podem cursar o Proerd. Recebem cartilha com informações sobre drogas, e orientações de como ajudar os filhos a lidar com pressões. Basta ligar para a PM, no 3221-7300. Os grupos são fechados a partir de 10 pessoas. As aulas ocorrem no batalhão (Rua Almirante Tamandaré, Vila Nova) ou em escolas. São cinco aulas com duas horas de duração cada.

Pais, filhos e o crack

Como falar:

– O assunto deve ser abordado quando a criança mencionar algo a respeito ou demonstrar curiosidade, independente da idade
– Para entrar no assunto, os pais podem usar como gancho uma notícia sobre a prisão de traficante, propaganda, filme, livro ou novela
– Antes de conversar, prepare-se com informações técnicas sobre a droga: do que ela é feita, os efeitos que causa no organismo
– Ao conversar com a criança, não se coloque em posição autoritária. Tem de ser um diálogo no qual fique claro que o uso de drogas é um caminho que a pessoa escolhe, cheio de prejuízos, muitas vezes irreversíveis
O que falar
– Ensine o filho a negar a droga de forma consciente
– Explique a diferença entre a reação agressiva à oferta de droga (que pode provocar briga) e a confiante
– O pai pode dramatizar com a criança uma situação de oferta de droga. A resposta da criança deve ser dita olho-no-olho, com a voz forte e clara. Não vale hesitar
– Enfatize que cada um tem direito de dizer o que pensa e de fazer escolhas
– Oriente que, se ele se sentir ameaçado, pode buscar ajuda
– Incentive a andar em grupos saudáveis
Proteja-se
– Saiba onde e com quem seus filhos estão e o que fazem
– Crianças que passam a maior parte do tempo sem supervisão são mais suscetíveis a drogas como o crack
– Certifique-se de que aquilo que o filho faz longe de casa está de acordo com as regras e valores familiares
– Ocupe o tempo livre da criança com atividades saudáveis, como esportes e dança
– Estabeleça, e o faça cumprir, horários de saída e chegada em casa
Fonte: Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) da Polícia Militar

O Proerd

O Programa Educacional de Resistência às Drogas é a versão brasileira do Drug Abuse Resistence Education, que surgiu em 1983 no EUA. No Brasil, o programa foi implantado em 1992 e tem cursos para alunos das 4ª e 6ª séries do Ensino Fundamental e para os pais. O programa oferece livro didático. Em Blumenau, são oito instrutores. Os estudantes têm 10 aulas de uma hora cada e os pais recebem curso de cinco aulas, com duas horas cada.
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Autor: Daiane Costa
OBID Fonte: Jornal de Santa Catarina