Lei Seca reduz embriaguez

A eletricitária Rosane Silva, 50 anos, ingeria bebida alcoólica e depois assumia o volante do carro sem preocupação. Arriscou-se por ruas e rodovias inúmeras vezes. Chegava a fechar um olho porque com os dois dizia que “via pista dupla”. Mas há exatamente um ano, quando entrou em vigor a Lei Seca, que pune com mais rigor o motorista flagrado embriagado, Rosane mudou de comportamento: não sai de carro quando vai beber.

– Vou a lugares pertos onde posso voltar a pé, sem depender de ninguém. Mas foi preciso chegar a lei para eu me conscientizar. Caso contrário, estaria bebendo e dirigindo – conta a eletricitária.

Assim como o caso de Rosane, a conscientização dos condutores é a principal causa de queda no número de acidentes registrados em Blumenau após a lei de álcool zero para motoristas. De junho do ano passado até março deste ano, 170 carteiras de habilitação foram apreendidas por embriaguez – 45% a menos do que o registrado no mesmo período do ano anterior, quando a lei não existia. No Estado, o número de mortes nas rodovias federais caiu 15,2% no primeiro ano de vigência da nova legislação.

Apesar do bom resultado, especialistas afirmam que o motorista relaxou após os primeiros seis meses da implantação da lei. Em Santa Catarina, ninguém perdeu a carteira por estar bêbado ao volante.

– Houve um impacto inicial. As pessoas ficaram com o pé atrás. Estava muito na mídia também. Mas a gente percebe que houve um relaxamento por parte dos motoristas nos últimos meses – afirma José Carlos de Oliveira, diretor de Trânsito do Seterb.

De acordo com o major Mario Sidnei Rossi, do 10º Batalhão de Polícia Militar, além das operações de trânsito, os policiais militares em ronda também flagram motoristas embriagados. Cada viatura tem obrigação de abordar 50 veículos por dia para verificação de documentos.

– O medo da prisão em flagrante e de perder a habilitação assustou os motoristas no começo. Depois, talvez por passar em uma blitz e não ser pega, a pessoa começou a relaxar. Aí verificamos o aumento de incidência de embriaguez no volante – relata o major.

Para o gerente da Guarda Municipal de Trânsito, Ivonei Leite, novas campanhas educativas seriam necessárias para reforçar a importância de não misturar bebida e direção, além de apresentar as consequências que a combinação pode acarretar ao condutor.
Autor: Isabela Kiesel
OBID Fonte: Jornal de Santa Catarina