Fronteiras, a atenção redobrada do Brasil

O secretário nacional de Políticas Sobre Drogas, general Paulo Uchôa, disse que as autoridades brasileiras estão conscientes da importância de fortalecer a fiscalização na extensa fronteira com os maiores produtores de cocaína do mundo – Colômbia, Bolívia e Peru. O Relatório Mundial sobre Drogas 2009, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crime (Unodc), confirma o Brasil como uma das principais rotas para outros continentes.

– No que diz respeito à produção, o Brasil não incomoda muito o mundo, não produz para a exportação. Incomodamos, sim, por ser um país de trânsito excelente para o tráfico, já que temos fronteiras com os maiores produtores de cocaína do mundo – afirmou Uchôa. – São mais de 9 mil quilômetros que temos de cuidar. Enquanto isso, os EUA têm apenas a fronteira com o México, que é menor do que a nossa só com a Bolívia. Isso explica a necessidade da intensificação de esforços para enfrentar esse problema.

A pesquisa da ONU apontou que a América do Sul é responsável por 323 toneladas (45%) do total mundial de apreensões de cocaína. O Brasil é o 10º em apreensões. Foram 16 toneladas da droga no país em 2007, contra 14 toneladas em 2006. A Venezuela é citada como o país de trânsito mais importante para o tráfico de cocaína para a Europa, com 40% do volume. Em outro corte, se forem consideradas apenas o número de apreensões, os principais países de trânsito da cocaína para a Europa (em 2007) são República Dominicana (11%), Argentina (9%) e Brasil (8%). Isso indicaria que os cartéis estão também tentando diversificar as rotas de transporte do material.

No relatório, o Brasil consta como o maior mercado de cocaína da América do Sul. Entretanto, Uchôa argumentou que comparações devem ser relativizadas.

– Temos convicção absoluta dos dados que fornecemos (para o escritório das Nações Unidas) e sabemos que isso não ocorre com outros países, que não têm tanto rigor assim. Por isso, temos cuidado em fazer comparações – afirmou o general. – Nos interessa colocar num contexto mundial, para ver o que precisamos melhorar.

O general lembrou ainda que Brasil aderiu às convenções da ONU para combate ao tráfico, à lavagem de dinheiro e ao crime organizado. E citou também diretrizes adotadas pelo governo federal em diversas instâncias para tentar reduzir a demanda da sociedade por drogas.

– Temos tomado as providências ao nosso alcance, com atenção na identificação e atualização dos dados. As políticas setoriais de diversos ministérios devem integrar políticas sobre Drogas para promover a redução da demanda. (com agências).
Autor:
OBID Fonte: Jornal do Brasil