Uso precoce de adesivo de nicotina aumenta chances de evitar fumo

Administrar produto antes do início “oficial” do tratamento tem efeito. Quem seguiu estratégia teve duas vezes mais probabilidade de parar.

Usar adesivos de nicotina nas semanas anteriores ao início do tratamento aumentam as chances de sucesso para quem quer parar de fumar. A bula do adesivos de nicotina prevê a sua utilização como método auxiliar para cessação do tabagismo. Essa indicação é baseada nos resultados observados em estudos clínicos. Um trabalho realizado por especialistas da Duke University e publicado na revista “Nicotine and Tobacco Research” pode mudar essa recomendação.

Os especialistas avaliaram mais de 400 candidatos a parar de fumar. A hipótese do uso precoce do adesivo foi testada na metade deles, o grupo precoce. A outra metade somente começou o uso na data prevista para todos pararem de fumar. Os fumantes puderam ainda escolher se continuam com seus cigarros habituais ou os trocavam por marcas de baixos teores nessas duas semanas anteriores ao início do tratamento tradicional.

Na data prevista, todos pararam de fumar e passaram a receber adesivos de nicotina. O protocolo de retirada da nicotina seguido durante a pesquisa foi o habitual. Seis semanas com adesivos de 21 miligramas de nicotina, seguidos 2 semanas de 14 miligramas e mais 2 de 7 miligramas diários.

O número de participantes que conseguiu se manter livre do cigarro depois de 10 semanas foi duas vezes maior no grupo que usou os adesivos antes do que é recomendado. O tipo de cigarro escolhido pelos participantes no período antes de largar o vício não foi importante para o sucesso ou não de quem tentou se livrar deles. Um aspecto interessante observado pelos médicos foi o de que as pessoas que tinham menor nível de dependência de nicotina segundo um teste padrão foram as que obtiveram maior sucesso. Quase três vezes mais pessoas conseguiram manter a abstinência após as 10 semanas.

Essa pesquisa deverá servir para iniciar a revisão do protocolo de utilização dos adesivos de nicotina. Até lá devem ser seguidas as orientações dos médicos quanto ao seu uso.

Luis Fernando Correia é médico e apresentador do “Saúde em Foco”, da CBN.
Autor: Editoria Saúde
OBID Fonte: Diário da Região