Uso de Viagra por jovens pode levar à dependência

Uso de Viagra por jovens pode levar à dependência e à morte súbita. O alerta é feito por urologistas que estão preocupados com o crescente número de jovens que vêm fazendo uso das “pílulas azuis”.

O Viagra é um medicamento de uso restrito e não deve associado a outras drogas. “Além de usar o remédio sem necessidade, os jovens fazem misturas com o álcool, ecstasy ou cocaína”, diz o urologista Eduardo Marsiglia.

Especialistas são unânimes em afirmar que o uso de álcool em excesso diminui a libido e anula os efeitos do Viagra, portanto, pode prejudicar a ereção e trazer muita dor de cabeça.

O problema se torna maior com o ecstasy, que provoca constrição dos vasos sanguíneos e sobrecarrega o coração, aumentando as chances de ocorrer um problema cardíaco.

Por ter contraindicações para pessoas com insuficiência coronariana, arritmia cardíaca, hipertensão arterial ou degeneração da retina, o remédio é vendido só com receita médica.

Porém, muitos só descobrem ser portadores dessas doenças depois do uso do medicamento, que pode levá-los à morte. Como aconteceu com o aposentado H.M. 79 anos, que sofreu enfarto num quarto de motel na última quinta-feira, após fazer uso do Viagra.

O uso indiscriminado também pode levar à dependência psicológica. “Tenho pacientes jovens que estão dependentes e usam Viagra em todas as relações, pois têm medo de não ser tão bons para as parceiras, quando estão sem usar o remédio”, afirma o urologista. A orientação é sempre consultar um médico antes de fazer uso do medicamento.

Aposentado que morreu em motel deixou bilhete

O aposentado, de 79 anos, que morreu dentro de um quarto de motel em Vitória, na tarde de quarta-feira (15), após tomar Viagra, medicamento usado contra impotência sexual, sabia dos riscos que corria ao ingerir a chamada “pílula azul”. A Polícia Civil encontrou um bilhete escrito pelo próprio idoso, onde ele declarava estar ciente de tudo o que poderia acontecer com ele durante o ato sexual. A carta estava datada de 2007, tinha a assinatura do aposentado e isentava, inclusive, as eventuais companheiras dele de culpa, em caso de morte. Segundo investigações policiais, o idoso tinha conhecimento de que era cardíaco e deixou o bilhete, sabendo dos efeitos do Viagra e que poderia morrer, devido ao uso do remédio, proibido justamente para pessoas com problemas de coração.

Riscos

“Tenho alguns pacientes jovens que já são dependentes do Viagra e o usam em todas as relações sexuais”
Eduardo Antônio Marsiglia
Urologista

Sobre o remédio

O Viagra (Pfizer) chegou ao Brasil em 1998

Princípio ativo

O Sildenafil age como vasodilatador, aumenta a circulação, relaxa a musculatura lisa e permite que o corpo cavernoso se encha de sangue e ocorra a ereção

Efeito

Depende de estímulo sexual e pode durar até oito horas. Deve ser ingerido de duas a três horas antes ou depois das refeições, e sua absorção é retardada e até anulada pelo álcool

Efeito colateral

Dor de cabeça, rubor facial, má digestão e congestão nasal (em pessoas saudáveis)

Contraindicação

Pacientes que utilizam medicamentos com nitratos ou nitroglicerina. O resultado pode ser a queda súbita da pressão arterial, com risco cardíaco

Desempenho sexual bom sem remédios

Segundo médico, uso de medicamentos pode até atrapalhar ereção; atividade física é recomendada

É possível melhorar o desempenho sexual sem fazer uso de medicamentos. De acordo com o médico urologista Eduardo Antônio Marsiglia, o emocional é o maior responsável pelos problemas de ereção em homens de até 40 anos. “O percentual dos problemas de ereção é de 8% em indivíduos abaixo dos 40. Dessa idade até os 70, o percentual aumenta para 52%.

Essas alterações são relacionadas a hormônios, mas o uso de alguns medicamentos também atrapalham a ereção, como por exemplo, os antidepressivos.

Produção hormonal

Uma das maneiras de prolongar a vida sexual e melhorar a qualidade das relações é praticar atividades físicas, que aumentam a produção hormonal e ajudam a controlar o peso e evitar o uso de cigarros.

Mas o urologista alerta para o uso de “bombas”, que podem trazer músculos e força, mas prejudicam o desempenho sexual.
Autor: Lucas Monteiro
OBID Fonte: A Gazeta