Alcoólicos Anônimos: Determinação para sair da bebida

Elas estão presentes em praticamente todos os lugares e são encontradas muito facilmente. Em festas e bares, as bebidas alcoólicas são os maiores atrativos depois daqueles estressantes dias de trabalho, onde os amigos se reúnem ao redor da mesa e ficam jogando conversa fora.

Mas a bebida não está presente apenas nos momentos felizes. Quando o verbo “beber” vira sinônimo de “preocupar”, talvez seja o momento certo de procurar ajuda com quem entende do assunto.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o alcoolismo é considerado uma doença incurável, progressiva, reflexiva, e de terminação fatal. Por esse motivo, vários grupos de auxílio tentam ajudar pessoas dependentes do vício do álcool em todo mundo.

Um dos grupos mais conhecidos, com aproximadamente 100 mil centros espalhados entre 150 países são os Alcoólicos Anônimos, mais conhecido como AA. Aqui em Natal, estão espalhados 26 unidades básicas nos bairros da cidade, totalizando 76 em todo o estado.

Esses grupos trabalham com os indivíduos as fraquezas perante a bebida. O primeiro passo para quem quer se tratar no AA é admitir a impotência perante a bebida e que está dependente dela. No entanto, essa não é uma tarefa muito fácil.

Quem explica isso é o senhor J.S.N, que devido às regras do Alcoólicos Anônimos, não pode ser identificado. “Não me julgava como alcoólatra. Porque achava que ser alcoólatra era quem bebia todos os dias”, revela. José, como será chamado, ficou bêbado pela primeira vez aos 11 anos de idade e teve sérias complicações na época, quando precisou ficar internado num hospital devido à grande quantidade de álcool que ingeriu.

Os pais não aprovaram o comportamento do filho, mesmo assim, isso não foi o suficiente para desencadear uma série de problemas com o alcoolismo. Na fase da adolescência, J.S.N bebia até perder o nível de consciência. Mesmo após ingressar no serviço militar, aos 19 anos, José não conseguia deixar o vício que continuou por um longo período na fase adulta da sua vida.

Ele lembra que da época do primeiro gole até os 38 anos de idade muita coisa havia mudado. O casamento passava por problemas, os filhos sofriam ao ver o pai bêbado e a carreia pública estancou. “Percebi que muitas coisas ruins estavam acontecendo na minha vida por causa do álcool”, revela. Há 17 anos, J.S.N procurou ajuda num dos grupos do AA e hoje fala que a bebida não o atrai mais.

Recuperação

O AA é considerada uma irmandade composta de homens e mulheres que se ajudam mutuamente para que a sobriedade seja mantida. Como o alcoolismo é incurável, o método utilizado pelos membros do grupo é a troca de experiências entre eles.

Durante as reuniões que acontecem mais de uma vez na semana, os participantes dialogam e relatam entre si suas experiências, geralmente em relação aos Doze Passos sugeridos para a recuperação e às Doze Tradições sugeridas para as relações dentro do Alcoólicos Anônimos e com a sociedade.

Qualquer pessoa que acredite ter algum problema com a sua maneira de beber pode assistir a uma reunião do AA – homens e mulheres de todos os níveis sociais, desde adolescentes até pessoas com idade avançada, sem restrições religiosas.

Segundo um integrante do Escritório Central dos Alcoólicos Anônimos em Natal, o tratamento é muito simples: não há acompanhamento psicológico nem psiquiátrico para os membros da irmandade, apenas as reuniões.

Apesar de ser considerada uma doença, o alcoolismo ainda é tratado na sociedade como uma espécie de desvio de caráter. “Eu era uma pessoa normal, tinha minha família, meu emprego, mas não conseguia me controlar quando bebia”, diz J.S.N. Ele afirma que havia muito preconceito e mesmo participando das reuniões dos Alcoólicos Anônimos, pessoas ofereciam bebidas a ele e tentavam o influenciar dizendo que ele não era alcoólatra.

Venda para menores de idade

Comprar bebidas alcoólicas em qualquer parte do Brasil não é muito difícil. Apesar de as bebidas só poderem ser vendidas para maiores de 18 anos, qualquer adolescente ou até mesmo crianças chegam num bar para comprar, muitas vezes recebendo pedidos de adultos.

Esse é um dos motivos que leva o crescente número de jovens menores de idade a consumirem bebidas alcoólicas. Para J.S.N, o primeiro gole deve ser evitado a fim de que a pessoa não desperte o alcoolismo.
Autor: Hugo Andrade
OBID Fonte: Correio da Tarde