Entrevista com Dr. Flávio D. Fuchs – Padrão de uso leve/moderado de álcool

Dr. Flávio D. Fuchs, Professor Associado de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e pesquisador I-A do CNPq.

1. Como podemos definir o padrão de uso leve/moderado de álcool?

Usualmente se define por quantidade não superior a 30 g de etanol para homens e 15 para mulheres em média diária. “Binge drinking”, porre literalmente, não é usualmente incluído na definição mas deveria, pois alguém pode ficar abaixo da média e beber perigosamente ocasionalmente.

2. Muitos são os estudos que sugerem que esse padrão de uso seja cardioprotetor. O Sr. acredita que esse efeito seja devido ao etanol per se ou seria produto de outros componentes das bebidas alcoólicas? Assim, seria correto afirmar que o efeito cardioprotetor da bebida variaria conforme o tipo de bebida?

Não acredito que haja efeito cardioprotetor, nem do álcool e nem dos componentes das bebidas alcoólicas. Os fundamentos de minha opinião podem ser encontrados em “Fuchs FD, Chambless LE. Is the cardioprotective effect of alcohol real? Alcohol 2007; 41:399-402”.

3. Variáveis sócio-demográficas como gênero e etnia interferem sobre o efeito cardioprotetor do álcool? Quais outras variáveis de confusão de relevância que deveriam ser consideradas em estudos que tenham por objetivo investigar esse efeito?

A grande variável de confusão é a pobreza e relação social. Há outro trabalho que deve ser publicado brevemente, além dos nossos, que sugere isto fortemente, identificando que abstêmios toda vida são os menos favorecidos e atrapalhados, tendo portanto, eles risco e não os bebedores proteção.

4. Finalmente, para que seja investigado esse efeito cardioprotetor do álcool, é mais prudente considerar seu uso em termos de quantidade ou de padrão de consumo?

Trabalho com dados técnicos mais objetivos possíveis, para que haja influência na cultura. Como esta não se mudará em horizonte visível, entendo que não recomendar bebidas alcoólicas para ter saúde (vinho em especial) já será bastante. Para os que bebem, a recomendação é de senso comum, moderação em quantidade, nunca ultrapassar, nem que seja por uma vez, os 15 e 30 gramas referidos anteriormente.
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool