Comissão vai debater políticas antidrogas

Investir mais no tratamento terapêutico de usuários de drogas e menos no combate armado a traficantes é o que determina a atual política de segurança da Inglaterra. O viciado que se submete a tratamento tem a pena reduzida e o traficante que não usa a violência não é importunado, segundo Mike Trace, ex-Czar das Drogas do Reino Unido, diretor executivo do Reabilitation for Addicted Prisoners Trust (Fundo para Reabilitação de Prisioneiros Viciados) e presidente do International Drug Policy Consortium (Consórcio Internacional de Polícia da Droga).

Soluções polêmicas como esta serão discutidas hoje, às 9h, na Fiocruz, na primeira reunião da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (CBDD), formada por 27 membros.

A iniciativa do Movimento Viva Rio prevê uma série de diálogos com especialistas nacionais e internacionais sobre aspectos importantes referentes às drogas nos campos da Farmacologia e da História recente, e também sobre a possibilidade de políticas mais eficazes e mais humanas no enfrentamento deste problema.

Além de Trace, estão no Rio Peter Reuter, doutor em Economia pela Universidade de Yale e professor da Escola de Políticas Públicas e do Departamento de Criminologia da Universidade de Maryland; Glenn Greenwald, advogado, escritor e autor do relatório sobre a descriminalização das drogas em Portugal; e Celia Morgan, doutora em psicologia pela University College London, pesquisadora da Beckley Foundation e Fellow da European College of Neuropsychopharmacology.

— O objetivo é trocar experiências e aprofundar a reflexão sobre o uso abusivo e a dependência de droga. O resultado será apresentado às autoridades com argumentação suficiente para que reformem o modelo de enfrentamento, que não tem dado certo — disse o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.

Membros da comissão são de diversas áreas Celia Morgan falará sobre sua pesquisa: — Existem drogas lícitas com tarjas pretas, por exemplo, que podem fazer mais mal do que o ecstasy. O álcool e o tabaco são legalizados, enquanto o ecstasy é proibido.

Fazem parte da comissão pessoas de diferentes atividades como Ellen Gracie, ministra do Supremo Tribunal Federal; Dráuzio Varela, médico e escritor; Popó, pugilista, campeão mundial superpena; a ginasta Daiane dos Santos; José Murilo de Carvalho, doutor em ciência política e membro da Academia Brasileira de Letras; e João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações GLOBO
Autor: Gustavo Goulart
OBID Fonte: O Globo