Sem cigarro, ar de bares de São Paulo melhorou, diz estudo

Um estudo com clientes e garçons de bares e boates de São Paulo confirma que a lei antifumo faz bem para a saúde dos fumantes passivos (não fumantes que inalam a fumaça do cigarro de outras pessoas).

A lei estadual, em vigor desde o último dia 7, proíbe fumar em ambientes fechados de uso coletivo, incluindo fumódromos.

O estudo em questão, feito pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, mediu a concentração de monóxido de carbono (uma das substâncias tóxicas do cigarro) nos pulmões de freqüentadores e trabalhadores de quatro bares e boates da capital em dois momentos.

A primeira medição, com 50 pessoas, foi feita semanas antes da lei antifumo. A segunda, com 30 (parte estava no primeiro teste), foi realizada na semana passada, com a norma em vigor. Os voluntários, que sopraram num aparelho semelhante ao bafômetro no início e no fim da noite, eram não fumantes.

No primeiro caso, por causa da fumaça no ambiente, todas as 50 pessoas chegaram ao fim da noite com mais monóxido de carbono nos pulmões do que no início. E 33 delas apresentaram concentrações iguais às de fumantes –algumas até comparáveis às de fumantes pesados.

No segundo caso, por outro lado, sem a fumaça, a maioria dos garçons e clientes terminou a noite com os mesmos níveis detectados horas antes.

Daqueles 30 não fumantes, 23 tiveram variações mínimas nos níveis de monóxido de carbono. Três apresentaram queda –vivem com fumantes e já chegaram ao bar com resquícios da substância, que foram diminuindo ao longo da noite.

As outras quatro pessoas tiveram aumento pequeno de monóxido de carbono nos pulmões, mas não por fumaça de cigarro. São garçons que ficam muito tempo na cozinha, onde os fornos liberam a substância.

“A lei antifumo está trazendo um grande ganho para os não fumantes”, resume Luizemir Lago, que dirige o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas, o órgão da Secretaria de Estado da Saúde que realizou o estudo.

A fumaça do cigarro leva a problemas que vão de rinite, sinusite e asma a catarata, câncer de pulmão, infarto do coração, AVC (acidente vascular cerebral) e morte súbita de bebês.

O fumo passivo é a terceira causa de mortes evitáveis no mundo, após o tabagismo ativo e o alcoolismo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, sete brasileiros morrem a cada dia por doenças do fumo passivo.
Autor: Ricardo Westin
OBID Fonte: Folha de S.Paulo