Anvisa proíbe cigarro eletrônico

Estão proibidos no Brasil o consumo e o comércio de cigarros eletrônicos – aparelhos que simulam o fumo e são vendidos como promessa para ajudar o fumante a se livrar do vício. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou ontem o veto ao produto, não há nenhuma evidência de que eles ajudem a parar de fumar.

A Anvisa também se apoiou em constatações da similar americana FDA de que o produto contém nicotina e outras substâncias cancerígenas, ao contrário do que alegam seus fabricantes chineses, embora ainda não se saiba exatamente quanto desses compostos é absorvido.

“O indivíduo acha que está parando de fumar, mas ele não está porque existem as tais substâncias”, afirmou Jussara Fiterman, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). A presença de materiais como o dietileno glicol, disse ela, é o que diferencia o produto de outros mecanismos comumente usados para ajudar a parar de fumar, como o adesivo e o chiclete de nicotina. “A nicotina é a parte do cigarro que dá o prazer, mas, em termos de danos, é até menos nociva. Se o paciente for tratado com essas terapias, é evidente que o médico vai saber a dose adequada e o momento de reduzir a dose”, garantiu.

No fim do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia desaconselhado o cigarro eletrônico como paliativo para o tabagismo. O aparelho funciona com pilha ou bateria. Ele tem na ponta um cartucho recarregável preenchido com refis de nicotina e aromatizantes. Quando o fumante traga, um nebulizador joga no ar gotículas de propileno glicol, fazendo com que a nicotina seja vaporizada.

O aparelho nunca teve a comercialização autorizada no Brasil, mas podia ser encontrado no exterior, na internet ou no comércio popular, via contrabando. O que a resolução da agência faz, agora, é deixar expressa a proibição. Se alguém desembarcar no País com o cigarro eletrônico, o produto ficará retido na alfândega. Empresas estão sujeitas a multas de até R$ 1,5 milhão.
Autor: Editoria Brasil
OBID Fonte: Jornal do Commercio