Fumante perde espaço no mercado de trabalho

Com a entrada em vigor da lei antifumo no último dia 7, fumantes perderam espaço nas empresas. Além de serem preteridos na contratação, eles são “empurrados” para áreas abertas para conseguir acender seus cigarros sem ferir a legislação e se submetem ao controle de chefes e patrões, preocupados com multas e fiscalizações.

A calçada em frente a uma empresa de telemarketing na Vila Itapura, região Leste de Campinas, fica repleta de funcionários fumantes. Antes da lei, eles podiam fumar no último andar do prédio ou próximo à porta do edifício. Agora, só podem acender o cigarro na calçada. “Incomoda bastante, porque só temos dez minutos de intervalo e, às vezes, demora para conseguirmos chegar aqui embaixo, por causa do elevador”, disse a operadora de telemarketing Maristela Eger, de 22 anos. “O fumódromo era aberto, mas agora nem lá podemos ficar”, afirmou a operadora Flavia Talita Oliveira, de 24 anos.

Em vigor no Estado de São Paulo, a lei proíbe o consumo de quaisquer produtos fumígenos em ambientes, públicos ou privados, de grande circulação de pessoas, total ou parcialmente fechados por paredes, toldos, tetos e demais estruturas que impeçam a circulação do ar.

A vendedora de uma loja de roupas do shopping Iguatemi, Suellen Ferrari, de 22 anos, fuma em pé, ao lado do cinzeiro. “Antes, ficava sentada. Agora, nem banco tem mais”, afirmou ela. Além de colocar cinzeiros em áreas abertas distantes das portas, o shopping tirou os bancos do ponto de táxi, que é coberto, para evitar o uso do local pelos fumantes.

Na prestadora de serviços de afiação de ferramentas Serras Awa, no Jardim do Lago, região Sul de Campinas, o empregado só sai para fumar com autorização e, apesar de não haver tempo máximo, tem de controlar o horário e o número de vezes que sai. “Se fumar muito, prejudica o trabalho”, disse o dono da empresa, Ari Camargo, de 50 anos, que também fuma.

Segundo o presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas de Campinas, José Antonio Cremasco, as empresas devem estipular regras relacionadas ao consumo de cigarro. “O empregador deve deixar claro quantas vezes o funcionário pode sair para fumar e, só depois disso, quem descumprir poderá ser punido.”

A mudança foi radical, mas agradou na fábrica de embalagens de papelão Nittow, em Sousas, região Leste. Os fumantes, que antes podiam acender o cigarro no posto de trabalho, passaram a usar três pontos abertos do terreno. Um dos beneficiados foi o diretor-superintendente, Marcelo Moscardi Nishiyama, que diminuiu o consumo de um maço para três cigarros por dia. “Fumo menos por não ter tempo para me deslocar”, afirmou.

Nas duas unidades da Bosch, em Campinas, os fumódromos foram extintos e o fumo só é permitido em áreas externas. Na matriz, cerca de cem cinzeiros foram recolhidos.
Autor: Fernanda Nogueira de Souza
OBID Fonte: Correio Popular