Preconceitos atrapalham prevenção

Segundo o relatório da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, o modelo atual de política de repressão às drogas na região “está arraigado em preconceitos, temores e visões ideológicas”. “O tema se transformou em tabu que inibe o debate público por sua identificação com o crime, bloqueia a informação e confina os consumidores de drogas em círculos fechados, onde se tornam ainda mais vulneráveis à ação do crime organizado.”

O estudo sugere que romper o tabu, reconhecer os fracassos das políticas vigentes e suas consequências seriam precondição para a discussão de um novo paradigma de políticas mais seguras, eficientes e humanas.

Para o dinamarquês Bo Mathiasen, representante da Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (ONU/UNODC) para Brasil e Cone Sul, a prevenção é fundamental.

Segundo ele, nos últimos anos, Estados Unidos e Europa vêm registrando um declínio no uso de drogas, tanto da maconha como da cocaína, já como resultado de uma política de prevenção. “É muito mais barato prevenir do que colocar as pessoas na cadeia, por exemplo. O retorno é muito maior”, afirma.

Graciela Touzé compartilha da opinião de Mathiasen. A presidente da Intercambios, associação civil especializada em problemas relacionados às drogas, diz que o grande desafio dos governos na região é justamente o de focalizar a perseguição penal ao crime organizado ao mesmo tempo em que aprofunda suas políticas sociais de saúde, que atendam às necessidades das populações vulneráveis ao consumo de drogas.
Autor: Editoria Mundo
OBID Fonte: O Popular