Socorro a fumantes de 1.200 municípios

O tratamento gratuito oferecido a fumantes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) chegará a 3 mil unidades de saúde de 1.200 municípios brasileiros no ano que vem. O programa começou em 2004 e hoje cerca de 800 unidades de 500 municípios oferecem o tratamento, segundo informações da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

A chefe da Divisão de Tabagismo, Tânia Cavalcante, informou que o tratamento consiste na entrega de medicamentos gratuitos e, principalmente, na orientação feita pelos profissionais de saúde do SUS.

“Existe uma demanda grande nas unidades de saúde. A maior parte dos fumantes brasileiros quer deixar de fumar, e o Sistema Único de Saúde visa a atender as pessoas que não têm como pagar pelo tratamento ou que não têm plano de saúde”, afirmou.

Segundo Tânia, 1.200 municípios ainda não são suficientes para atender à demanda nacional pelo tratamento. Ela disse que a implantação do programa é demorada devido à necessidade de capacitação dos profissionais de saúde.

“O principal aspecto do tratamento não é o medicamento, é a abordagem cognitiva e comportamental, da forma mais adequada possível. por um profissional treinado”, acrescentou.

Pacientes mentais estão sem assistência

Uma política perversa de desassistência a pacientes psiquiátricos, especialmente dependentes químicos, está sendo implementada na saúde pública brasileira. Esse é o alerta que o coordenador do departamento de psiquiatria do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, de Porto Alegre, Carlos Salgado, faz depois de acompanhar esses pacientes por mais de 20 anos.

“Os leitos dos hospitais psiquiátricos são fechados com a promessa de se abrir um novo leito no hospital geral, o que não resolve a situação. Como tratar um usuário em abstinência de crack em um leito num hospital geral destinado meramente a pacientes com problemas psiquiátricos leves como depressão?”, questiona o psiquiatra.

Segundo ele, pesquisa da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) com usuários de crack, 12 anos após o primeiro contato, mostrou que o índice de morte gira em torno de 24%. “[Eles] morrem bem mais que a média que seus contemporâneos não usuários, mas é bem menos que esperávamos. Nós achávamos que todos iam morrer em 12 anos. Então, dá para tocar a vida mal, mas dá pra tocar.”

Por isso, Salgado chama a atenção para a necessidade de melhorar o atendimento à saúde e de preparar a comunidade para lidar com esses usuários.
Autor: Seção Brasil
OBID Fonte: Tribuna do Brasil