UNB na batalha contra o cigarro

Os fumantes passivos que são muito passivos estão cada vez mais sujeitos a adquirir doenças pulmonares, infarto e outras doenças cardiovasculares graves.Por esses motivos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a proibição do ato de fumar em recintos coletivos, como a melhor prática para proteger a todos dos riscos do tabagismo indireto.

No Brasil, a Lei 9294/96 proibiu fumar em ambientes coletivos, mas ainda permite áreas reservadas exclusivamente para fumantes. Embora tenha sido um avanço, a legislação ainda precisa ser aperfeiçoada para proteger os fumantes passivos, segundo especialistas.

O último sábado foi o Dia Nacional do Combate ao Fumo. Para marcar a data, a Universidade de Brasília promoveu ontem campanha itinerante que percorreu o campus com distribuição de panfletos, faixas e cartazes para sensibilizar os acadêmicos sobre os maus causados pelo tabaco. A concentração da campanha ocorreu na entrada do Instituto Central de Ciências (ICC).

Os panfletos que foram distribuídos vinham com os seguintes dizeres: “UnB com ambientes 100% livres de fumo: Um direito de todos”.

E o slogan que dizia: “Quem não fuma, não é obrigado a fumar.” A campanha promovida pelo Decanato de Assuntos Comunitários, Diretoria de Saúde, Hospital Universitário de Brasília, Diretoria de Esporte, Arte e Cultura e a Prefeitura do Campus, faz parte do Projeto UnB Saudável, que incentiva as pessoas a buscar mais qualidade de vida.

ASSISTÊNCIA MÉDICA

Foi dada abertura também ao Programa UnB sem Tabaco, no qual universitários e funcionários que querem parar de fumar terão a assistência de médicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais durante um ano. “Mas o tabagismo tem solução sim”, afirmou a psicóloga e coordenadora da campanha Cristineide de França.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tabagismo é uma das causas principais de morte no Brasil. Todos os dias pelo menos sete não-fumantes morrem no País por respirar fumaça de cigarro e 95% dos elementos cancerígenos dos ambientes coletivos vêm desta fumaça.

O aluno de Agronomia Edil de Carvalho é voluntário na campanha: “Fui convidado e me empolguei em participar do movimento para ajudar meus amigos que são dependentes de cigarro. Não dá pra conciliar atividades físicas e cigarro. O primeiro passo para deixar é substituir o fumo por outra coisa que também dê prazer”, comentou Edil.

Na frente da Reitoria da UnB estavam expostas esculturas feitas de ferro pelo serralheiro Marcílio Sales que usa da imaginação e materiais recicláveis para fazer bonecos de campanhas contra o fumo, combate a dengue, contra o desperdício de água e para incentivar as doações para o Hemocentro de Brasília.

Marcílio, que já trabalha há dez anos na serralheria da UnB, apresentou as obras Zé Fumaça e A Vítima do Cigarro, que mostram pessoas que sofrem do vício do tabagismo. A campanha deve continuar em setembro com palestras, peças teatrais e alertas. Alunos e funcionários que querem parar de fumar devem procurar a Gerência de Qualidade de Vida nos telefones: 3448-5244 ou 3307-1516.

SAIBA MAIS

Não existem níveis seguros de exposição à fumaça que sai da ponta acesa dos produtos de tabaco.

Ela contém substâncias tóxicas em quantidades mais elevadas do que na fumaça tragada pelos fumantes. Além disso, responde por cerca de 95% dos elementos cancerígenos transportados pelo ar em recintos coletivos.

Não há sistema de ventilação ou filtragem do ar capaz de eliminar a exposição e os riscos decorrentes do tabagismo passivo.

Pessoas que trabalham onde é permitido fumar, ao final do dia poderão ter respirado o equivalente a dez cigarros.

Garçons não-fumantes expostos à fumaça apresentam, em média, o dobro de chance de desenvolverem câncer.

ENQUETE

O que você acha da campanha da UnB contra o tabagismo?

“As pessoas devem ficar atentas aos males do cigarro.

Mas elas são livres para fazer suas escolhas. Quem não fuma também deve respeitar os fumantes” Igor Teixeira , 27 anos, estudante de Matemática “Muito boa a campanha.

Talvez assim as pessoas levem em consideração a própria saúde e a dos outros também” Iara Teixeira 27 anos, estudante de Administração “É muito importante, pois tem gente fumando em todos os lugares no campus. Ainda bem que aqui é ventilado e a gente não fica muito exposta à fumaça” Luana Paes, 24 anos veterinária
Autor: Nikole Lima
OBID Fonte: Jornal de Brasília