Mãe fuma por doença, afirma especialista

A mulher que mantém o hábito de fumar mesmo sabendo que está grávida não é negligente, mas sim doente. O nome da doença: tabagismo. Essa é a opinião do médico Clésio Soares, coordenador do Controle de Tabagismo do HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão.

“Existe um preconceito nosso com essas mulheres. Elas são mães dóceis, ótimas, mas a dependência química derruba o caráter da pessoa. Ela precisa ser observada como uma pessoa doente, não podemos criticar simplesmente.”

Desde 2007, Soares atua como médico do programa municipal de luta de apoio a quem quer parar de fumar, o Grupo de Tratamento do Tabagismo. As reuniões acontecem na Unidade Básica de Saúde central.

O médico conta que, entre os membros do grupo, já recebeu mulheres gestantes, e que algumas desistiram da reunião por não conseguirem abandonar o cigarro. Outra situação frequente é o abandono temporário do cigarro, retomado após a criança nascer.

Segundo Soares, o tabagismo na gravidez pode provocar prematuridade da criança e até aborto. Quando o filho sobrevive ao parto, as sequelas podem ser notadas com um comportamento que tende ao agressivo.
Autor: Editoria Folha Ribeirão
OBID Fonte: Folha de São Paulo