Especialista defende a utilização de intervenções sociais

De acordo com o coordenador geral do Centro de Estudos em Terapia de Abuso de Drogas (Cetad-Ufba), Antônio Nery, embora algumas pessoas ainda sejam contra, todos os trabalhos mostram que a aproximação do serviço de saúde com os usuários ou “excluídos-invisíveis” produz bons resultados, como a possibilidade de tratamento de doenças, intervenções sociais e, sobretudo, redução de danos associados a práticas danosas à vida, como o uso de substâncias psicoativas.

“Por estas razões objetivas defendo mesmo a criação de locais (salas) para uso protegido de qualquer substância psicoativa. Minha justificativa apoia-se no fato de que a proximidade de um profissional de saúde abre a possibilidade do contato, da troca e, portanto, de uma intervenção no campo da saúde. Na pior das hipóteses, teríamos um uso supervisionado e sempre passível de algum cuidado”, explica.

Assim também pensa o mestre de conferência da Universidade da Sorbonne e especialista em dependências psicológicas da contemporaneidade, Eric Toubiana.

“Quando nos referimos ao narcotráfico, é óbvio que deve haver repressão, mas é preciso separar as coisas. O usuário de droga precisa de tratamento.

Não há como reduzir índices ou minimizar os riscos sem prevenção, cuidado e tratamento”, explica Toubiana, que é também psicanalista e psicoterapeuta.

O especialista em dependências psicológicas chama atenção para outros tipos de drogas, as não-químicas, como a dependência da internet, jogos, compras e da própria violência. “Essas ‘drogas’ têm sido cada vez mais comuns no mundo contemporâneo, e é preciso estar atento.

O homem tem mania de transformar coisas positivas, como a internet, em coisas prejudiciais”, alerta.

* Título alterado pelo portal OBID
Autor: Editoria Ciência e Vida
OBID Fonte: A Tarde