Programa de redução de danos limita o contagio pela AIDS

Compartilhar seringas e agulhas era algo comum entre os usuários de drogas. A cena ainda pode ser vista pelos becos e viadutos de vários lugares do Brasil e do mundo,mas atualmente é possível afirmar que o índice de usuários que compartilha material diminuiu, depois da implantação da Política de Redução de Danos (PRD), adotada pelo Ministério da Saúde nas ações de redução dos índices de infecção pelo HIV, hepatites e outras DSTs.

A estratégia tem por objetivo prevenir as consequências negativas associadas ao uso de drogas como crack, cocaína e heroína. No caso das injetáveis, a ação é realizada por meio da distribuição de kits contendo seringas, água de limpeza, algodão, camisinha, entre outros produtos, que buscam evitar a contaminação do usuário.

Desde que foi criado, o PRD vem suscitando uma série de questionamentos de várias ordens. Um deles se baseia na crença de que, ao se disponibilizarem seringas e agulhas, haveria, em consequência, maior consumo de drogas.

“Creio que o usuário se sente mais seguro e, com isso, passa a usar com mais frequência”, diz o comerciante A.L., 32 anos, ex-usuário de drogas.

Resultados As pesquisas, no entanto, mostram o contrário. Em Salvador – a primeira cidade onde o projeto foi implantado –, no início do programa, em 1995, a taxa de usuários de drogas injetáveis era em tornode 60%.Umlevantamento feito em 2005 revelou que esta taxa estava abaixo de 10%.

A estratégia foi também uma das principais responsáveis poruma importantemudança do perfil da epidemia de aids no Brasil. A proporção no total de casos notificados, que em 2000 representava 13%, diminuiu para 7% em 2006, segundo dados do Departamento de DST, Aids e HepatitesVirais, órgãodoMinistério da Saúde.

“Com o programa, respeitamos o direito de escolha, mas fazemos esse usuário refletir sobre os riscos. Ele passou a consumire compartilharmenos o material e não bate na porta do serviço apenas para pegar o kit, mas para se tratar, o que é mais importante”, diz a assessora técnica da Unidade de Prevenção do Programa de Controlede DST/HIV/Aids, Denise Serafim.
Autor: Fabiana Mascarenhas
OBID Fonte: A Tarde