Leis antifumo reduziram em um terço os ataques cardíacos

Nova York, EUA. Dois estudos norte-americanos publicados nesta semana indicam que as leis antifumo tiveram um impacto bem maior do que o esperado na prevenção de ataques cardíacos. Os estudos apontam que o número de ataques cardíacos na Europa e América do Norte chegaram a cair em torno de um terço após a introdução das leis que proíbem o fumo em locais públicos.

O primeiro estudo, realizado pela Universidade do Kansas, realizou uma revisão sistemática de dez relatórios de 11 regiões diferentes nos EUA, Canadá e Europa que adotaram as leis antifumo. Os resultados, publicados na revista científica “Journal of the American College of Cardiology”, indicam que o número de ataques cardíacos reduziu em até 26% por ano depois da adoção das leis.

“A proibição do fumo em locais públicos parece ser tremendamente eficaz em reduzir os ataques cardíacos e, teoricamente, também podem prevenir o câncer de pulmão e o enfisema”, afirmou David Meyers, que liderou a pesquisa.

Segundo ele, os benefícios cardíacos aumentaram conforme o tempo de vigência das leis.

O pesquisador afirma que os primeiros efeitos positivos puderam ser percebidos logo nos três primeiros meses de vigência das leis, quando o número de ataques cardíacos já apresentou um declínio.

Efeito positivo

A segunda pesquisa sobre o assunto, realizada pela Universidade da Califórnia e publicado na revista científica “Circulation”, analisou 13 pesquisas sobre o tema realizadas na América do Norte, Itália, Escócia e Irlanda. Os resultados mostram que, apesar das diferenças regionais, a redução do risco de ataques cardíacos após a adoção das leis antifumo foram consistentes e chegaram a 17% apenas no primeiro ano de vigência da lei.

Assim como na pesquisa anterior, o impacto positivo das leis também aumentou conforme o tempo de vigência da legislação e o risco de ataques cardíacos chegou a cair 36% nos três anos após a adoção das novas leis.

“Obviamente não vamos reduzir os ataques cardíacos, mas as descobertas nos dão provas de que no curto e médio prazo, a proibição dos fumos em locais públicos prevenirá muitos ataques”, disse James Lightwood, que liderou a pesquisa. “O estudo contribui para as fortes evidências de que o fumo passivo causa ataques cardíacos e que aprovar leis antifumo em locais de trabalho e espaços públicos é algo que podemos fazer para proteger o público”, disse.

Estatísticas mostram a rapidez com que surgem os benefícios

Nova York. De acordo com Ellen Mason, da ONG British Heart Foundation, o estudo feito na Califórnia mostra o impacto positivo das legislações que proíbem o fumo em locais públicos na saúde cardíaca.
“As estatísticas mostram ainda a rapidez com a qual os benefícios podem ser sentidos depois da adoção das leis e indicam como o fumo passivo pode ser perigoso para o coração”, disse Mason.
“Se você é um fumante, a única coisa grande que pode fazer para prevenir ataques cardíacos é parar de fumar, o que também pode proteger a saúde de seus amigos e familiares”, afirmou.

No Brasil – Algumas leis antifumo

Brasil. A lei federal nº 9.496, de 1996, proíbe fumar em “recintos coletivos, privados ou públicos”.

São Paulo. Em vigor desde 7 de agosto, a lei proíbe fumo em locais fechados de uso coletivo.

Rio de Janeiro. Entra em vigor em 18 de novembro. As multas vão de R$ 3.000 a R$ 30 mil.

Curitiba. Entra em vigor em 20 de novembro. A multa é de R$ 1.000.

Salvador. Entrou em vigor em 29 de julho. Proíbe o fumo em locais fechados.

Minas Gerais. Projeto de lei ainda precisa ser votado em segundo turno pela Assembleia Legislativa.

Belo Horizonte. Projeto de lei precisa ser votado em plenário na Câmara.
Autor: Editoria Brasil
OBID Fonte: O Tempo