Tabagismo deve ser tratado como doença, dizem médicos

No mundo, 5,4 milhões de pessoas morrem, por ano, por causa de problemas provocados pelo cigarro. E dos 33 milhões de brasileiros que mantém o hábito, 80 mil perdem a vida anualmente. Médicos e psiquiatras reuniram-se na semana passada, no Hotel Pestana, para participar de um workshop sobre tratamento para o tabagismo, realizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia do Maranhão, em parceria com a gigante farmacêutica Pfizer.

O palestrante convidado para participar do workshop, o médico pneumologista e professor da Universidade de Brasília (UNB) Carlos Alberto de Assis Viegas, autor do livro “Tabagismo: do diagnóstico à saúde pública”, disse que combater o tabagismo é obrigação de todo profissional de saúde. “O médico que não combate o tabagismo é anti-ético, pois o hábito de fumar é uma doença crônica e mata. O problema é que muitos médicos não sabem tratar o tabagismo e não se interessam em aprender. Atualmente, existem muitos tratamentos para combater a doença”, explicou.

Uma das drogas mais eficazes no tratamento do tabagismo é a Vareciclina, que teve a sua aplicação discutida no evento. A substância é o principio ativo do medicamento Champix, que age nos receptores do cérebro que criam a dependência da nicotina, ajudando o paciente a se afastar do cigarro. Todo o tratamento dura 12 semanas e custa em torno de R$ 600 reais, mas alguns fumantes consideram o valor caro. “Se somarmos quanto se gasta com cigarro e depois para tratar as doenças provocadas pelo fumo, o medicamento é quase de graça. Hoje, tem farmácia que vende o Champix em até 12 vezes no cartão”, destacou o executivo da Pfizer, Adriano Aurélio Fernandes.

Medicamento – O presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Maranhão, o médico Francisco Monteiro, sugeriu que o medicamento fosse distribuído a pessoas carentes pelo Ministério da Saúde. “O governo deveria distribuir o medicamento para diminuir o consumo de cigarro com faz com o câncer e a Aids, pois o custo para tratar as doenças provocadas pelo tabagismo é muito mais caro”, lembrou.

Já o cardiologista e especialista no tratamento ao tabagismo José Bonifácio defendeu o prolongamento do tratamento com Vareciclina. “Uma das principais informações discutidas no workshop foi o prolongamento do uso do medicamento. O tabagismo, assim como o alcoolismo e a diabetes, é uma doença crônica e sujeita a recaída. Acho interessante poder ministrar o medicamento por mais tempo para que o paciente não volte a fumar”, disse.

Hipnose é alternativa no combate

São Paulo – A hipnose é um procedimento há muito tempo usado no tratamento de diversos tipos de transtornos e que pode trazer grandes benefícios para a vida das pessoas. Além das motivações mais comuns, como traumas, depressões e ansiedade um número cada vez maior de pessoas têm procurado a hipnose para combater a dependência.

A busca por tratamentos antitabagismo por meio da hipnose era algo recorrente. Porém, segundo o psicanalista e terapeuta especialista em regressão de memórias, Renato Liberman, atualmente mais pessoas têm aderido ao método, principalmente após a Lei Antifumo, que já vigora em vários estados do Brasil. “A hipnose é uma técnica eficaz nesse tipo de tratamento, principalmente se há um desejo real em largar o hábito. Não é simples, mas tenho obtido resultados bastante positivos”, afirma.

O tratamento funciona com sessões semanais ou a cada três dias para uma maior eficácia, no qual a pessoa entra em um estado alterado de consciência e recebe sugestões a abandonar a dependência. Além disso, faz parte do tratamento o aprendizado de técnicas de auto-hipnose.
Autor: Marcio Henrique Sales
OBID Fonte: O Estado do Maranhão