Entidades tratam dependentes químicos

Filhos que de repente tornam-se agressivos, se isolam, passam a dormir fora de casa sem avisar, a faltar no trabalho e se endividar devem ser observados atentamente pelos pais. O psiquiatra Roberto Carvalho afirma que essas são algumas das principais alterações comportamentais que indicam um possível envolvimento com as drogas.

“A dependência química é muito complexa, pois é um transtorno multifatorial. O paciente precisa de uma rede de apoio, seja de psicólogos, psiquiatras ou da própria família para sair da dependência”, explica Carvalho, que há mais de 15 anos trabalha com dependentes químicos.

Parao médico,a fase mais crítica para o usuário é a da abstinência (quando ele fica sem usar a droga), principalmente tratando-se de crack.

Maria Charbel Libório, psicóloga que integra a equipe de uma clínica de reabilitação particular em Lauro de Freitas, compartilha da opinião do médico: “Além de ser muito mais agressivo que as outras drogas, o crack tem um efeito muito intenso. O dependente usa até a exaustão, até o corpo entrar em fadiga. Esta droga é muito traiçoeira e perigosa”, afirma ela.

Política pública Um problema apontado por Carvalho é a “falta de políticas públicas em relação à dependência química no Brasil”. Segundo ele, a Bahia não dispõe de clínicas de reabilitação públicas voltadas para internação do paciente, o que impede que pessoas de baixa renda se tratem. “Embora a maioria das clínicas particulares aceite convênio, mesmo assim, o paciente com menor poder aquisitivo fica sem alternativa”, reclama o psiquiatra.

Em Salvador, os locais que oferecem tratamento gratuito são os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Centro de Estudos e Terapia de Abuso de Drogas (Cetad) – órgão ligado à Universidade Federal da Bahia (Ufba) – e os Narcóticos Anônimos (NA), que atuam em mais de 130 países.

Nos NA, os adictos, pessoas que não conseguem deixar um hábito nocivo à saúde, se reúnem para trocar experiências sobre o uso das mais diversas drogas, sempre com o lema do “limpo só por hoje”.

Antes de procurar ajuda, um homem de 32 anos, que terá identidade preservada, conta que usava vários tipos de drogas: “Loló, cocaína, álcool, maconha e remédios de tarja preta. Algumas pessoas entram no mundo das drogas por problemas familiares, mas eu entrei por causa dos amigos”, revela, enfatizando que está limpo há 4 anos, cinco meses e cinco dias.
Autor: Carine Andrade
OBID Fonte: A tarde