Recifense está abandonando o cigarro

O recifense está aposentando os cinzeiros e transformando a cidade em exemplo nacional e internacional de combate ao tabagismo. De todo o país, foi na capital pernambucana que a prevalência de fumantes mais caiu entre os anos de 2007 e 2008, segundo a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde.

O percentual de fumantes no Recife com 18 anos ou mais caiu de 15,9% para 10,4%, quarto menor percentual do Brasil – o menor índice é de Maceió (9,8%), acompanhada por Salvador (10%) e São Luís (10,1%). No mesmo período, o número de fumantes no país caiu de 16,4% para 15,2%. Os bons resultados alcançados pelo Recife serão apresentados entre os dias 14 a 16 em conferência latinoamericana para o controle do tabagismo que será realizada no México.

E não é a primeira vez que a cidade é destaque internacional quando o assunto é redução do número de fumantes e locaisonde o fumo é permitido. A implantação dos ambientes livres do fumo na capital do estado – já são 7.873 pontos oficiais – foi decidiva para a escolha da cidade pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como exemplo no Brasil. A entidade está realizando um estudo de caso dentro do projeto mundial de cidades livres do fumo e a experiência recifense será contada em publicação que deve ser publicada até o final deste ano.

Para a coordenadora municipal de Controle do Tabagismo do Recife, Maristela Menezes, a implantação dos ambientes livres do fumo (lei federal que começou a valer em fevereiro de 2008) foi um dos principais fatores que influenciaram a queda no número de fumantes na cidade. No Recife, 100% dos bares, boates e restaurante fechados são ambientes livres do fumo. “Eu credito a redução ao conjunto de ações integradas e intersetoriais desenvolvidas ao longo dos anos de implantação da política (antitabagística) no Recife, que propiciaram maior acesso da população às informações sobre as mais diversas questões relacionadas ao tabagismo”, afirmou. Em 2003, 18% dos recifenses com mais de 15 anos eram fumantes, segundo o Inquérito Domiciliar sobre Fatores de Risco para Doenças Crônicas. Em 1989, 28% dos indivíduos com mais de 15 anos fumavam no Recife e 32% no Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional Sobre Saúde e Nutrição. Segundo a OMS, o tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo.

O professor universitário João Constantino Gomes Ferreira Neto, 53 anos, tem orgulho de ter deixado essa estatística para trás. A data que ele parou de fumar não sai da memória: 15 de novembro de 1990, onze dias antes da sua segunda filha nascer. A decisão de parar deixou no passado uma história que começou cedo, aos 12 anos. “Todos meus amigos de infância fumavam. Era moda, mas essa cultura está mudando”, disse. Conseguir vencer o vício é o sonho de Severino Rodrigues, 62, taxista e fumante há 43 anos. “Tentei duas vezes. Na primeira, fiquei sem fumar durante quatro anos. Na segunda, só consegui dois meses”, disse. Na cidade do Recife, os fumantes podem encontrar ajuda para largar o tabagismo nos seis Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPSad). Unidades que apresentaram resultados positivos entre os anos de 2007 e 2009. Dos 524 dependentes que passaram pelo tratamento, 71,8% chegaram a parar de fumar. Deles, 83,5% definitivamente.
Autor: Juliana Colares
OBID Fonte: Diário de Pernambuco