Estudo mostra que droga deixa jovens mais violentos

De acordo com a pesquisa, as drogas que podem ser adquiridas no comércio legal, como cola de sapateiro e solvente, ainda são usadas pelos jovens nas ruas. Mas o estudo mostra também que, além da maconha, o consumo de cocaína, zirrê (cigarro de maconha mesclada a cocaína) e crack aumentou na área pesquisada.

Por causa da variedade de drogas de grande impacto na dependência química, os pesquisadores perceberam que o cotidiano das ruas está mais violento.

— A rua está mais violenta até para os menores que vão para as ruas com parentes, para vender algo — disse o pesquisador Dario Sousa e Silva.

O estudo mostra que, apesar de estar nas ruas, a maioria das crianças e dos adolescentes não perdeu totalmente o contato com a família: 63% dos entrevistados visitam os parentes e 33,5% os encontram diariamente.

Segundo Dario, a referência familiar tem aspectos positivos e negativos: — A referência familiar aponta tanto para uma possibilidade de exploração pela família, quanto para o fato de que eles têm um teto — disse.

Maria Cristina Sá, que há 25 anos fundou a Pastoral do Menor, diz que o resultado da pesquisa vai ajudar as ONGs a enfrentarem de uma forma diferente a questão dos jovens que vivem nas ruas: — Há um olhar distorcido sobre esse jovem. Por isso, esse estudo foi elaborado por educadores que trabalham com eles.

Não é com choques de truculência que vamos mudar a situação.

É com choque de educação — disse Maria Cristina.

De acordo com Dario, ações repressivas do poder público têm gerado uma mudança no cotidiano das ruas. Adultos, crianças e adolescentes têm maior mobilidade e é comum vê-los transportando seus pertences em carrinhos. Ao menor sinal de agentes públicos, eles se deslocam: — As ações não reduzem o número de pessoas nas ruas, mas aumenta sua circulação.

Parte dos jovens está nas ruas há mais de dez anos O pesquisador acrescenta que, além do essencial direito à vida, todo jovem tem o direito de desejar. Segundo ele, o estudo mostra que os adolescentes têm a intenção de trocar a rotina das ruas por condições mais dignas.

De acordo com a pesquisa, cerca de 30% dos entrevistados estão nas ruas há quatro anos ou mais. Mas há jovens (4%) há mais de dez anos vivendo nesse ambiente. Segundo 30,6% dos consultados, o motivo para estar na rua é ganhar dinheiro.

Mas 20,2% alegaram “revolta”, embora não tenham especificado qual o tipo. Maus-tratos foram a resposta de 16,8% dos jovens.

Segundo o estudo, para sobreviver, 45,7% dos entrevistados disseram que pedem dinheiro; 38,2% trabalham e 13,9% admitiram que roubam
Autor: Editoria Rio
OBID Fonte: O Globo