Legalização da maconha ganha espaço na Califórnia

SÃO FRANCISCO – Os defensores da legalização da maconha vivem momentos emocionantes na Califórnia – e isso se deve apenas em parte à nova postura do governo federal em relação à maconha medicinal.
Os legisladores estatais irão ouvir a respeito dos efeitos de uma lei que legalizaria, cobraria impostos e regularia a droga – o que seria a primeira lei deste tipo nos Estados Unidos – em uma audiência nesta quarta-feira.
As autoridades tributárias estimam que a lei poderia levar ao Estado, em grave dificuldades financeiras, cerca de US$ 1,4 bilhão por ano e, ainda que o destino da lei seja incerto, o governador republicano Arnold Schwarzenegger deu sinais de que está aberto a um “debate” sobre o assunto.
O eleitores da Califórnia também estão aceitando a legalização. Já existem três iniciativas diferentes em busca de assinaturas para votação do próximo ano, todas que permitiriam a tributação da maconha e sua posse por adultos para uso pessoal.
Mesmo os oponentes da legalização sugerem que uma iniciativa provavelmente se qualificará para um pleito estadual.
Proponentes da principal iniciativa conseguiram quase 300 mil assinaturas desde o fim de setembro, dizem seus apoiadores, dentro do prazo para se qualificar para a eleição geral de novembro de 2010.
Richard Lee, um ativista pró-maconha de longa data que está por trás da medida, diz ter arrecadado quase US$ 1 milhão para contratar os profissionais para ajudar os voluntários a conseguir as assinaturas.
“Os eleitores aceitam os abaixo-assinados com avidez”, disse Lee.
Por outro lado, as tentativas de legalizar a maconha são contrariadas por grupos legais de todo o Estado e, caso prospere, certamente enfrentaria problemas com o governo federal, que classifica maconha como uma droga ilegal.
A Califórnia foi o primeiro Estado a legalizar a maconha para propósitos medicinais, em 1996, mas inúmeros tribunais, inclusive o Supremo, concluíram que o governo federal pode continuar a impor sua proibição.
Apenas neste mês, com o anúncio do Departamento de Justiça de que não irá processar os usuários e provedores de maconha medicinal que obedecem a lei estadual, a ameaça diminuiu.
Mas as autoridades federais também deixaram claro que sua tolerância não chega ao uso recreativo.
Em um memorando do dia 19 de outubro que esboça as diretrizes da maconha medicinal, o vice-procurador-geral David W. Ogden afirmou que a maconha é “uma droga perigosa e a distribuição ilegal e venda da maconha é um crime sério”, acrescentando que “nenhum Estado pode autorizar violações da lei federal”.
Fonte UNIAD:The New York Times