Cerco às drogas derruba índices de violência no RS

Combate da Brigada Militar e da Polícia Civil ao tráfico ajuda a baixar total de assassinatos, assaltos e roubos de veículos

Os gaúchos estão matando e roubando menos. É o que indicam os últimos dados sobre a criminalidade no Estado, divulgados pela Secretaria da Segurança Pública. As reduções mais significativas ocorreram com homicídio, assalto e roubo de veículos — segundo a Brigada Militar, o combate ao tráfico vem ajudando a derrubar esses índices de violência no Estado.

As informações disponíveis no site da secretaria possibilitam dois tipos de comparação com igual período do ano passado: apenas outubro (até o dia 28) ou os 10 primeiros meses. Em ambas as hipóteses, há redução de crimes violentos.

Os assassinatos — parâmetro internacional para aferir a violência de uma sociedade —encolheram 16,2%, em outubro, se confrontados com o mesmo período de 2008. Se cotejados os 10 primeiros meses do ano, a diminuição é tímida, mas ainda assim expressiva: -2,8%. Algo semelhante acontece com o roubo de veículos, uma chaga que castiga em especial a classe média. De janeiro a outubro, desapareceram de ruas, avenidas e estradas do Rio Grande do Sul 10.454 veículos — 1.184 menos (-10%) que os 11.838 levados no ano passado. Restringindo a análise apenas a outubro, têm-se dados ainda mais satisfatórios: 1.150 ante 875 (-23,9%).

Para o coronel Jones Calixtrato Barreto dos Santos, subcomandante-geral da BM, os números indicam o acerto de uma política de combate à criminalidade traçada pela corporação.

— Para baixar homicídios tem que reduzir também o roubo e o furto de veículos e o tráfico, como temos feito. Estamos fazendo prisões de traficantes, apreendendo drogas, que superam em muito as apreensões de anos anteriores — interpreta Jones.

As operações da BM contra o tráfico indicam que, de fato, aumentou o cerco aos criminosos. De janeiro a outubro, as ocorrências aumentaram 30,2%, saltando dos 3.893 registros no ano passado para 5.069 em 2009.

Número 2 na hierarquia da corporação, o oficial revela uma meta é ambiciosa:

— Queremos reduzir em 40% homicídios e furto e roubo de veículos este ano.

Além do cerco ao tráfico, o titular da Delegacia de Homicídios, Bolívar Llantada, atribui a diminuição dos assassinatos à redução da sensação de impunidade:

— Graças a um mutirão, duplicamos a nossa produtividade. Em média, são remetidos 120 inquéritos para a Justiça. Muitos com autoria. Isso tem um impacto nos crimes.

Ao deparar com os números positivos, o delegado Juliano Ferreira, especializado em investigar quadrilhas de assaltantes, é cauteloso. Para ele, o fato de as polícias, a Justiça e o Ministério Público priorizarem o combate a crimes violentos pode fazer com que haja migração de delitos.

— Há outras delitos, como o tráfico, que são mais vantajosos porque os criminosos se expõem menos — pondera o delegado.

Integrante de uma família de policiais, o delegado acredita que o descrédito da população possa estar empurrando alguns índices para baixo:

— É preciso reconhecer que pequenos assaltos nem sempre são registrados.
UNIAD Fonte: Carlos Etchichury – Clic RBS – Pioneiro