O ilógico

Enquanto os municípios lutam como podem, através de suas autoridades e organismos privados para conter a progressão das drogas, especialmente do crack, que vem se mostrando verdadeiro desastre, levando uma grande parcela da juventude à destruição, assim como à desarticulação familiar, o Brasil se prepara para festejar o “dia da cachaça” – cujo documento tramita no Congresso – numa aberração que contraria totalmente a lógica.

A cachaça, embora como droga permissível, assim como o tabaco é, geralmente, a primeira grande porta que se abre e que, em muitos casos, leva o menor e o adolescente ao caminho perigoso do vício e, daí à marginalidade e à autodestruição.

Sabemos que o álcool e o cigarro geram grandes fatias financeiras para o país e, como permissíveis, estão à disposição em cada boteco de esquina ou, mesmo, nos mais sofisticados centros comerciais. No entanto, nossos representantes poderiam ter o cuidado de determinar que a “festa da cachaça” fosse tratada como produto em nível internacional, já que grande parte da bebida serve para exportação, existindo inclusive, em alguns países, a abertura de rivalidade com o uísque.

Lamentável que, enquanto alguns lutam, geralmente com escassas condições para combater os altos índices de consumo de drogas que se instalam no país, se fala em promover um dia dedicado à cachaça, que ganha repercussão como produto para consumo em alta escala. O álcool, além de responsável por milhares de mortes durante todo o ano nas rodovias, traz também, em seu bojo, a condição de degradar o homem viciado e, na consequência, espalhar a violência e a miséria em milhares de lares.

O alcoolismo é doença de difícil recuperação, na qual se faz necessária uma força de vontade férrea do viciado para se reintegrar à vida normal e, para tanto, conta com o apoio do AA (Alcoólicos Anônimos) e outros organismos, num trabalho dignificante, que merece o reconhecimento da sociedade, mas que se tornam impotentes para rebater a disposição de prestar homenagens à cachaça que, indiretamente, representa o vício, quando o que se poderia considerar como natural é a união contra esse mal capaz de corroer os alicerces de qualquer família, seja ela moradora em miseráveis barracos ou em grandes mansões.
UNIAD Fonte:Agora