Influência da droga no cotidiano pode caracterizar dependência

Pessoa que possui histórico de uso de narcóticos na família tem mais facilidade de passar pelo mesmo problema, diz especialista.

Além disso, ela recomenda que seja analisado o histórico familiar em relação ao uso abusivo de drogas. Marylin explica que a questão é multigeracional, portanto, existe uma predisposição para a dependência química se houver casos anteriores entre os pais, tios ou avós.
Na opinião da psicóloga do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marília Castello Branco, a fronteira entre o uso de drogas e a dependência é confusa, mas ela distingue entre quem consegue se manter apenas no consumo recreativo e quem tem um uso constante e não consegue parar.
Utilizar o narcótico para um determinado fim no cotidiano, como ficar acordado no trabalho ou suportar dores frequentes, podem caracterizar a dependência e acarretar na necessidade de um tratamento, segundo a psicóloga.

Entre as drogas que mais causam dependência, está o tabaco, concordam as especialistas. Marylin esclarece que a tolerância do corpo à substância é maior, mas a pessoa acaba incluindo o cigarro na rotina e no convívio social, fazendo também com que se torne um hábito.
Apesar disso, a diretora do Proad faz uma ressalva sobre o consumo de crack. De acordo com ela, usar três vezes a droga, já é o suficiente para o indivíduo tornar-se um dependente. E “infelizmente, é uma das drogas mais usadas no Brasil”, diz.

Assim como existem pessoas que bebem de vez em quando para se distrair em um bar, ou fumam um cigarro apenas às vezes, as drogas ilícitas também possuem seus usuários eventuais. No entanto, para não passar disso, a diretora executiva da Associação Parceria Contra as Drogas, Marylin Tatton, afirma que é necessário observar se a pessoa utiliza alguma substância para alterar o humor – e se isso vira uma questão de necessidade – ou se ela começa a precisar do narcótico para conversar e ter um convívio social.
Autor: Thatiane Faria – Abril.com
Fonte: UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas